Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza e também ao People’s Choice Award, no Festival de Toronto, o novo filme de Olivier Assayas aborda a evolução do mercado editorial com o crescimento da internet e com a capacidade de interferência dela. Assayas usa as  ansiedades do presente e articula a linguagem que está nos arrastando para o futuro.

A nova parceria com Juliette Binoche  conta a história de um editor parisiense de sucesso que luta para se adaptar à revolução digital que vem atropelando seu meio profissional. Nesse momento ele tem grandes dúvidas sobre o novo manuscrito de Léonard, um de seus autores de longa data. O escritor insiste em propor mais um trabalho de auto-ficção, reinventando seu caso de amor com uma jovem celebridade. Selena, a esposa de Alain, uma famosa atriz de teatro, tem opinião diferente sobre isso.

Depois de Personal Shopper e Acima das Nuvens, Olivier Assayas traz um discurso válido e consistente sobre a temática em questão. Vidas Duplas traz um discurso legítimo sobre a evolução da internet. Com um enredo objetivo com personagens contraditórios que constroem essa trama no minimo democrática, Olivier Assayas, com muito bom humor, constrói uma trama envolvente que propõe boas reflexões. Na mesma medida em que esses debates bastante pertinentes vão acontecendo, os casais protagonistas se envolvem em um quarteto amoroso com quê de Closer. Vidas Duplas é uma otimista e cautelosa da reflexão em um mundo que parece estar se remodelando mais rápido a cada dia.

Mostra: Panorama do Cinema Mundial

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