John Callahan (Joaquim Phoenix) é um bonitão alcoólatra solitário do Oregon que entre gole e outro, vive de pintar casas pela vizinhança do bairro. Convidado pelas amigas a ir para uma festa à beira da piscina de um ricaço da região, John é abordado por Dexter (Jack Black), um festeiro inconsequente que o arrasta para uma maratona pelos bares da cidade, onde bebem até quase perderem a consciência. Eis que no trajeto entre bar e outro, Dexter assume a direção do carro de John que já não tinha a mínima condição de guiar. Dexter apaga no volante e bate o carro com toda violência num poste, acordando no leito de um hospital, onde ouve do médico sua nova e dura realidade: ele está paraplégico. A partir de então, a história faz vários cortes que alternam em John num centro de reabilitação para alcoólatras, na clínica de reabilitação e na sua casa onde enfrenta as dificuldades diárias de um cadeirante, num palco onde palestra para plateias numerosas e em flashbacks de antes do acidente.

Durante o período na reabilitação, ele conhece Annu (Rooney Mara), uma voluntária sueca pela qual se apaixona e que o ajuda a se recuperar mais rapidamente e Donnie (Jonah Hill), o excêntrico líder do grupo do AA, que através de seu método, dá o suporte emocional para vencer o vício.  Resignado com sua nova condição e instigado pelas novas relações íntimas, John descobre no desenho criativo e sarcástico, o dom que o levou a se tornar um dos mais conhecidos cartunistas da América.

A comédia dramática e biográfica, dirigida por Gus Van Sant, é daquelas obras com ingredientes incríveis para se tornar um baita filme. A história de John Callahan não é de fato, qualquer história.Com um elenco estelar formado, Van Sant poderia se extrair muito mais da trama. Temos Joaquim Phoenix, Jonah Hill e Rooney Mara formando uma tríade de atores da primeira prateleira. Sem contar os coadjuvantes de luxo, Jack Black e Carrie Bronwstein.

No entanto, a história, muito bem montada, discorre numa linearidade, interessante, sim, mas que nos priva de reviravoltas mais bruscas. O filme teria esse potencial. Mas Van Sant prefere dar um ar de resignação e normalidade à vida de John.

Joaquim Phoenix é um dos maiores atores desta época. Não lembro se já vi algum trabalho dele que seja ruim. Ele vive John com precisão, e sua atuação como paralítico é louvável.
Jonah Hill é outro camaleão. Rooney Mara é sub-utilizada. Nada que tire sua preciosidade enquanto em cena, porém, se você tem Rooney Mara num casting, você usa Rooney Mara o máximo que pode. Em A pé ele não vai longe ela apenas aparece pouco, deixando de abrilhantar a tela, enquanto Jack Black é sempre Jack Black.

Amontagem faz um excelente trabalho. Os recortes de tempo são muitos, e todos eles fazem muito sentido cronológico. É muito difícil trabalhar com roteiros assim. Mas aqui temos um bom exemplo de como fazê-lo. É o tipo de filme que me agrada, embora seja uma biografia. A história é bem legal justamente pela originalidade. Ela pende mais para o lado da ficção do que de um documentário, por exemplo.

Entendo que não seja o tipo de filme que lotará sessões, (embora o elenco por si só justificasse isso), mas pra quem gosta minimamente de um bom cinema, preenche muito bem a grade.

 

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