Por Gabriel Alviano

Mele sur Sarther é um pequeno vilarejo da região da Normandia que sofre profundamente com a crise no país. Quando Blake Newman, um fotógrafo famoso, escolhe a cidade como cenário para sua próxima obra, o prefeito Georges Balbuzard vê a oportunidade perfeita para promover Me sur Sarther e salva-la da crise, com uma condição, Blake quer todos cidadãos posem nu para a foto.

Apesar da sinopse cômica, Normandia Nua apresenta a vida simples que os normandos daquela aldeia vivem. O diretor e roteirista do filme, Phelippe Le Guay balanceia o drama e a comédia de forma simples e graciosa. Isso se dá não só por Le Guay, mas também com a trilha sonora e as belas atuações.

A narrativa tem como protagonista George Balbuzar, Balbu para os íntimos, ele é prefeito há quinze anos de Mele sur Sarther e representa uma figura paternal a todos cidadãos da aldeia.

Interpretado por Fraçois Cluzet, de Intocáveis, Balbu caminha por entre narrativas paralelas tentando convencer a cidade inteira a posar nua. Mesmo sendo apresentado como uma pessoa otimista e confidente dos habitantes de Mele sur Sarther, seu personagem possui uma carga dramática bem aprofundada nos diálogos, mostrando os sacrifícios que fez em sua vida durante os anos como prefeito. Cluzet explora bem essa ambiguidade de leveza e drama em seu personagem, trazendo ao mesmo tempo um ar de maturidade e uma certa inocência para Balbu.

Através das narrativas paralelas, conhecemos mais sobre os cidadãos de Mele sur Sarthe e seu passado. Porém, o personagem Vincent, interpretado por Arthur Dupont não tem um arco tão interessante quanto os outros. Mesmo que seu personagem esteja dividido em deixar a cidade ou viver um grande amor, seu dilema chega a ser cansativo e até isolado dos demais personagens. Isso porque Vincent e seu par romântico só interagem entre si, e em poucas cenas com Balbu. Distanciando sua história da narrativa central.

Para quem conhece de perto cidades pequenas de interior, é fácil se identificar com os dramas dos personagens. As rivalidades tão antigas que ninguém lembra o motivo da briga, um conservadorismo exagerado entre os cidadãos e o constante medo da opinião pública, já que todos sabem da vida um do outro. Mesmo o filme sendo francês, seu discurso contra o conservadorismo é presente em diversos outros países, incluindo o Brasil. Mas mostra de forma otimista uma sociedade que, unida, consegue evoluir seus costumes e sua moral.

Normandia Nua é uma ótima opção de filme para quem gosta narrativas leves, mas bem desenvolvidas. Com pesos de comédia e drama equilibrados, a história é encantadora e prende a atenção do espectador até o fim.

 

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