Na noite de 12 de março, aconteceu o 31º edição do prêmio Shell no hotel Copacabana Palace. O premio, que foi criado em 1988, prestigiou os artistas em ascensão, em noite marcada por discursos de cunho politico- social. Tradicional premiação da cena teatral brasileira, o prêmio Shell foi apresentado por Marcos Caruso e Vilma Melo.

A trigésima primeira edição do premio homenageou Aderbal Freire Filho, grande colaborador da cultura brasileira. Formado em direito, o homenageado da noite, teve seu trabalho relembrado desde 1977, no telão,  durante a noite toda. O diretor que já foi premiado outras vezes, foi relembrado por Caruso com a seguinte fala: “Hoje o teatro brasileiro precisa mais de dinheiro do que eu de sapatos” , usada por Aderbal quando conquistou seu quarto prêmio.

Como não poderia deixar de ser, a execução da vereadora Marielle Franco, que completa um ano nesta quinta-feira, foi lembrada por vários dos vencedores. Marcado por “ Marielle Presente” em seus discursos, a noite foi marcada pela diversidade democrática. Relembrando inclusive a questão do apartheid moderno.

 Elisa Tandeta levou o premio na categoria Melhor iluminação por “Um tartufo”. O produtor da peça Bruce Gomlevsky recebeu o prêmio em nome de Elisa, que infelizmente, não pode comparecer ao prêmio.

Na categoria figurino, Bey Madeira e Dani Vidal foram premiados pelo seus trabalhos em  “Bibi – Uma vida em musical”, Vidal ainda completa a conquista contando que “São 30 anos de profissão, esse premio um reconhecimento sem preço”.

O musical “Elsa” foi premiado na categoria Melhor Música para Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet por “Elza”. Larissa enalteceu o quantos são bons o que merecem fazer parte de produções que contém suas histórias seja na arte, na atuação , no roteiro, em todas as bases que se faz uma produção. Na categoria cenário, Dóris Rolemberg foi o premiado por “A última aventura é a morte”.

A categoria Inovação premiou o coletivo 2º black por incentivar espaço de cultura cênicas de artistas negros. Com um discurso político social , a companhia celebra a arte , o artista, é mais do que tudo, a renovação do olhar , permitindo que pessoas sejam vistas por seus talentos.

A 2ª Black é mais que um coletivo teatral, é um estado de sobrevivência. Enquanto nós comemoramos, vários corpos negros tombam na cidade – frisou o diretor André Lemos.

Na categoria Melhor Dramaturgia, Henrique Fontes e Pablo Capistrano levaram o prêmio por “A invenção do Nordeste”. Henrique reforça o conceito de um novo mundo, “A gente precisa acreditar em um novo tempo e num novo espaço para construir isso”.

Na categoria Direção, André Lemos foi premiado por “ Esperança na Revolta”. O diretor relembrou que a apropriação cultural dos ancestrais é encenada em discurso que defende o estado de sobrevivência.

Na categoria Melhor ator, Otto Jr.  foi premiado por “ Tebas Land” e ressaltou a importância do reconhecimento tardio sobre o outro.

 Nena Inoue foi premiada como Melhor Atriz, por “ Para não morrer”.  A atriz destacou o legado da vereadora Marielle Franco.

Larissa Luz encerrou a noite cantando em homenagem à Aderbal  Freire-Filho, que aproveitou o seu discurso para reforçar o momento da arte no Brasil. Relembrando a censura na época da ditadura, s importância de Chiquinha Gonzaga, Federico Garcia Lorca e a avassaladora poética do palco. Ele ainda frisa a coletividade que se faz o teatro, diz que nunca fez espetáculo nenhum sozinho, sem os atores, figurinistas, técnicos, todos membros importantes da obra. “Ainda espero fazer muitas peças de teatro como sambas de carnaval, como o samba da Mangueira”.

 

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