O mundo é cheio de regras e leis sob as quais a maioria de nós vive, mas até que ponto muitas dessas leis e normas sociais servem aos interesses da maioria da população? Até que ponto a justiça é, de fato, justa?

Mas algumas coisas, como senso comum, são, erradas, e contra a lei! Assaltar um banco definitivamente é contra a lei. Mas não obstante isso não nos impede de, em se tratando de filmes de assalto, torcer, na grande maioria das vezes, pelos bandidos.

Os bandidos em questão são os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) e estão assaltando bancos de cidades pequenas no interior de um Texas economicamente devastado. Toby e Tanner tem personalidades e vidas muito diferentes e se reuniram após muito tempo distantes para colocar esse plano em prática. Enquanto Toby é um cara mais sensato e centrado que está passando por um divórcio e está lutando para que os filhos não cresçam na mesma pobreza que ele e o irmão cresceram, Tanner é um ex-presidiário, solto recentemente, que parece se divertir mais do que deveria com os assaltos, com uma personalidade mais inconsequente e agressiva.

Por mais que bancos não sejam lá as instituições mais queridas, os assaltos começam a ser investigados por Marcus, um guarda veterano as vésperas de sua aposentadoria e seu parceiro Alberto (Gil Birmingham). A dinâmica entre esses dois personagens é intensa e interessante, com diálogos intensos e uma atuação de Jeff bridges de tirar o chapéu. A relação dos dois também carrega alguns elementos de humor e assim como na relação dos irmãos uma ideia de parceria e camaradagem que são profundas.

As motivações, tem um lugar importante nessa narrativa, que com um ritmo lento, dá ao expectador o tempo necessário para conhecer e se afeiçoar aos personagens e suas personalidades tão bem construídos. E o grande motor do filme é a riqueza emocional que é carregada por essas atuações incríveis.

Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Foster são a força motriz desse filme, que é um moderno velho oeste . As atuações são acompanhadas do roteiro afiado, de Taylor Sheridan (Sicário), que apesar de não ser inovador, é bastante imprevisível. Os desdobramentos do roteiro aliados à uma direção primorosa de David Mackenzie, deixam aquela sensação de satisfação ao longo do filme enquanto tudo se encaixa e começa a fazer sentido.

À qualquer Custo tem toda uma questão política e uma desconstrução social, que é ressaltada pela belíssima fotografia de Giles Nuttgens, que exacerba a magnitude do vazio do Texas, o abandono, e deixa uma sensação de como se a sociedade estivesse aos poucos se retirando e dando lugar a essa ausência.

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