Por Mallu Correa

Filme coreano dirigido por Park Chan-Wook, A Criada conta a história de Sookee, uma garota que é contratada para trabalhar como criada para uma herdeira, Hideko, que vive isolada e aos cuidados do tio, um homem um tanto quanto autoritário. O problema é que Sookee, na verdade, foi contratada por um vigarista que quer convencer Hideko a se casar com ele, e precisa de alguém próxima dela para isso. Tudo muda quando a criada e a herdeira começam a desenvolver afeto uma pela outra.

O filme que estreou em 2017 e  entrou pro catálogo da Netflix esse ano,  é um romance contado em um cenário caótico, a história se passa em 1930, durante uma invasão do Japão na Coréia. O filme não tem medo de violência, nem de sexo, não mede palavras e nem imagens. Porém, ele mostra tudo isso em meio a uma arte extremamente delicada e meticulosa. A primeira parte do filme, que se passa basicamente na mansão de Hideko, é composta por planos gerais e lentos, sempre destacando a arquitetura da casa, as belezas naturais encontradas no enorme jardim da propriedade e, não menos importante, todo o figurino meticuloso retratando a (falsa) moralidade da época.

Para quem gosta de reviravoltas, esse filme é essencial: ele é lotado de plot twists bem construídos, cada mínimo detalhe no começo tem um significado no final. Sem entrar muito na narrativa para não estragar a experiência de ninguém com spoilers, o diretor consegue criar ângulos diferentes de uma mesma situação minuciosamente, dando um efeito extraordinário, tanto visualmente quanto narrativamente falando.

A criada é considerado um filme de um gênero relativamente novo, denominado “thriller erótico”. Para algumas pessoas, a quantidade de cenas sensuais na trama pode ser um tanto quanto apelativas e desnecessárias, o que eu, particularmente, concordo. Porém, devido a todo o contexto da história e o fato de se propor, realmente, a falar sobre o sexo e não apenas jogar cenas sem explicação, acaba por ser perdoado.

O filme de Chan-Wook é bonito, interessante, original e surpreendente. Te prende do início ao fim, provoca no espectador uma montanha-russa de emoções, desde angustiado até extasiado. Pra quem procura um filme bom e diferente do que está acostumado, esta é a dica. Mas também, não assista com seus pais na sala.

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