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    “Divaldo – O Mensageiro da Paz” é um longa que se destaca entre outras produções recentes do gênero por ter um teor menos didático

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    Na virada da década passada para a atual, o público brasileiro viu uma ascensão de filmes com temática espírita/kardecista com produções como “Bezerra de Menezes”, “Nosso Lar” e “Chico Xavier” – e seus derivados -, todos lançados em sequência e com grande apelo popular, em especial, os dois últimos. Após a febre inicial, em meados deste decênio, esse tipo de narrativa se tornou cada vez mais rara e sem muito destaque no circuito de salas comerciais. No entanto, após o lançamento de “Kardec” este ano e, agora, com “Divaldo – O Mensageiro da Paz”, parece que o interesse pelo tema voltou a crescer.

    O filme conta a história de vida do médium Divaldo Franco, desde sua conturbada infância no interior da Bahia, onde tinha fama de louco por ver e falar com espíritos, até a maturidade, quando já era conhecido em todo o país por seus trabalhos de caridade. Talvez, o maior acerto da produção seja se prender ao fato de ser uma biografia e não cair na cilada da “propaganda de conversão” que filmes de teor religioso costumam cair, aqui, o público acompanha a história de um professor que dedicou sua vida à caridade e, por acaso, também era um médium. Mas esse não é o único ponto positivo do longa.

    O roteiro e a direção de Clóvis Mello acertam em cheio ao injetar pinceladas de humor na trama, o que ajuda a dar mais naturalidade a algumas situações, o que não seria possível com aquela seriedade resignada que produções do gênero costumam adotar, o que pode acabar se tornando enfadonho se o filme não tiver um roteiro muito afiado. Assim, todo o estranhamento e momentos potencialmente constrangedores causados pela interação entre Divaldo e espíritos ganham um toque de bom humor, e muito disso se deve ao desempenho do elenco.

    Os três atores que interpretam o médium – João Bravo, Guilherme Lobo e Bruno Garcia, respectivamente – se saem muito bem – o segundo é o que tem mais tempo de tela, sendo, portanto, responsável por levar a maior parte do longa. E há, ainda, outros nomes de destaque, como Laila Garin – sempre excelente – interpretando Dona Ana, a mãe de Divaldo, Ana Cecília Costa, como Laura, uma espécie de tutora do rapaz dentro da doutrina, Regiane Alves, que dá vida à mentora espiritual do médium, e Bruno Suzano, que interpreta Nilson – mais tarde, interpretado por Osvaldo Mil –, um aluno que se torna melhor amigo de Divaldo. O elenco ainda conta com Álamo Facó como Chico Xavier e Marcos Veras como um espírito obsessor que perseguiu o médium por décadas – ambos em aparições menores e, talvez, um pouco presos demais a maneirismos.

    Assim, “Divaldo – O Mensageiro da Paz” é um longa que se destaca entre outras produções recentes do gênero por ter um teor menos didático – ainda que alguns diálogos tenham um tom um pouco professoral, o que, às vezes, é necessário, uma vez que, em um país cada vez mais evangélico, boa parte do público não tem um conhecimento básico sobre o espiritismo, e, além disso, quem já teve contato com a doutrina sabe que as conversas, por vezes, assumem este aspecto; outro ponto um pouco incômodo é a transição entre a primeira e a segunda fase, logo no primeiro ato, que é um pouco brusca demais, a passagem de tempo segunda é realizada de forma bem mais fluida, fora isso, não há grandes problemas, é uma produção competente. Por fim, trata-se de um filme interessante e até divertido, mas, acima de tudo, bem intencionado, que traz uma mensagem e tolerância e caridade.

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