Um dos estantes mais grandiosos da XIX Bienal Internacional do Livro é da editora Panini, a maior editora de histórias em quadrinhos do Brasil (tendo os títulos da Turma da Mônica, DC Comics e a Mangá Planet, o selo de mangás da editora). O crescimento e resginificado que os quadrinhos tomaram por todo mundo é uma onda implacável, que traz muitas novidades, entre elas, o clube literário por assinatura, Bux Club.

Criado pela reunião de vários jornalistas, editores e escritores, entre outras personalidades, O Bux Club que entrou no ar em julho deste ano, leva ao  assinante mensalmente um material literário completo indicado por um dos curadores, com um livro que tem significado especial para o curador, como também textos de apoio e brindes.

Tivemos a oportunidade de bater um papo com Sidney Gusman, um dos curadores do Bux Club. Sidney é jornalista, editor-chefe do Universo HQ (o principal site sobre quadrinhos do Brasil), que venceu nove vezes o Troféu HQ Mix em sua categoria (de 2000 a 2007 e 2009), além de ser o principal veículo brasileiro de divulgação dos profissionais do traço nacional. Sidney também é responsável pela área de planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções (MSP) desde 2006, considerado um dos maiores especialistas em quadrinhos do Brasil.

Gusman nos contou que essa nova tarefa começou com um convite: “Na verdade, foi um convite muito querido do meu amigo Marcelo Duarte (também curador e jornalista), um cara que tenho a relação de já ter dado entrevista no programa dele, de encontrar em eventos… Aí ele disse que queria bater um papo comigo, sobre fazer fã-clubes de livros para quem é fã da pessoa. Disse que eu deveria fazer a curadoria dos quadrinhos. Na hora, eu falei ‘Putz, mas aceitei.”

Ele também conta como foi exigente com sua curadoria e sua felicidade pela recepção do público: “Tive que investigar o formato da caixa, as especificações físicas, para então fazer a escolha do material. Ter o máximo de editoras, também ter autores e autoras, diversos temas… Privilegiar quem não é leitor de quadrinhos, pra a pessoa ler e pensar ‘Nossa, é legal ler quadrinhos’. Estou muito feliz com o resultado, que as pessoas estão aderindo, ainda mais que sempre tive essa ideia na cabeça de levar os quadrinhos para mais gente. E quando alguém assina o clube por ser meu fã, é algo muito louco. Então, tenho uma responsabilidade maior, de sempre indicar quadrinho bom.”

“Quando começamos o projeto, escolhemos as doze obras do ano. O retorno desse primeiro mês está sendo maravilhoso. Se a pessoa já tem, caso ela faça contato com o pessoal da Bux Club eles te oferecem um outro livro/quadrinho, isso é bem bacana. O maior barato é isso, gente do Brasil inteiro participando. Vamos fazer o nosso clubinho virar um clubão”.

Quando questionando sobre o senso comum de que HQ’s são apenas para o público infantil, Sidney foi claro em sua opinião: “Todo mundo fala ‘Não’, eu falo ‘É… É também’. O universo dos quadrinhos é rigorosamente como o do cinema: tem gênero erótico, infantil, aventura, documental, tem de tudo, para todas as idades e bolsos. Por isso, quando me perguntam se HQ é coisa de criança, eu digo que sim, é coisa de criança, de adulto, de nerd, de intelectual e, especialmente, de quem gosta de aprender, sentir, viajar, sonhar e se identificar com boas narrativas. Sempre falo isso até porque lancei uma hashtag chamada #dequadrinhosdepresente.”

“Claro que você não vai dar pra alguém, que nunca leu, o terceiro encadernado de uma saga dos Vingadores, né? Tem que chegar e mostrar algo que ele goste. Se o cara gosta de coisas mais adultas, da um “Maus” do Art Spiegelman, uma história do pai sobrevivente do Holocausto. Se a pessoa gosta de romance, pega “Retalhos”, do Craig Thompson. Uma história sobre primeiro amor, sobre violação de sexualidade. Super forte de vida. Dão até as Graphics MSP, que edito, de presente. Daí a pessoa parte pra outros, é incrível.”

Além dos títulos acima, Sidney citou outros títulos excelentes como “A Herança Becker”, de Magno e Costa (quadrinho nacional), “O Árabe do Futuro”, de Riad Sattouf (“Inclusive, vou puxar o pé da editora, quero saber o final dessa história”, confessou Sidney), Pílulas Azuis de Frederick Peeters (onde o autor conta sua paixão por uma mulher HIV positivo), Rugas de Paco Roca (a relação entre um filho que coloca o pai com Alzheimer no asilo).

Foto: Mari Barcelos

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