Uma radialista (Débora Duboc) em busca do marido desaparecido há meses, um pai (Samuel de Assis) à procura da mãe de seu filho recém-nascido, a funcionária de um supermercado (Sabrina Greve) que busca a babá e um homem (Leonardo Medeiros) abandonado pela esposa. Estas são as personagens que recorrem ao programa de rádio que dá nome ao filme – que permite transmitir mensagens direcionadas – para reencontrar os desaparecidos.

Talvez, a maior característica do longa seja seu anacronismo, uma vez que, em plena era digital, onde as redes sociais dominam as interações humanas, uma estação de rádio desempenha um papel de destaque na trama contemporânea – por mais que seja muito mais um meio de essas personagens se encontrarem, solidarizando-se uns com os outros e criando novos laços na grande cidade de São Paulo, o que, nos dias de hoje, seria algo impensável.

Assim, nota-se logo que roteiro e direção tendem mais para o melodrama, pelo menos, de início, uma vez que, quanto mais se aproxima do fim, mais o enredo abraça o humor – não de forma escrachada, mas de uma maneira que case com o tom melancólico da trama. Desta forma, a produção acerta em apostar suas fichas no desempenho do elenco, com destaque para Leonardo Medeiros e Débora Duboc – que se saem muito bem, inclusive nessas transições entre drama e humor -, e, é claro, Gilda Nomacce, que funciona como uma forma de consolidar este traço cômico do longa.

Contudo, essas qualidades não anulam a falta de apuro técnico ocasionada pelo orçamento limitado, o que afeta a estética da produção, seja nos problemas com o enquadramento, na iluminação muito branca, desbotada, que esvazia as imagens, mas não de uma forma que ajuda a construir a solidão presente no enredo – como é feito com figurino e ambientação apáticos e descorados. E, além das questões da cinematografia, ainda há problemas com a captação de som, que prejudica algumas cenas.

Com isso, “Onde Quer que Você Esteja” é um filme que até apresenta uma proposta interessante, do ponto de vista narrativo, e conta com um elenco extremamente competente, no entanto, a experiência do público é afetada pelos problemas oriundos das limitações orçamentárias. Assim, parando para pensar, diz-se que a falta de dinheiro é a mãe da criatividade, porém, os realizadores não conseguiram encontrar soluções criativas para contornar as dificuldades, então, é difícil não pensar que, talvez, tivesse sido melhor aguardar mais um tempo para produzir o longa.

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