O grande astro, Will Smith, sempre foi dono de um carisma sem igual, e da capacidade real para atuação. Ele fez parte de histórias cinematográficas excelentes, em especial Um Maluco No Pedaço e na trilogia MIB: Homens de Preto, desta vez em Projeto Gemini temos duas vezes mais Will. O personagem de Smith, Henry Brogan, é o veterano do corpo de fuzileiros americano, o melhor dos melhores, mas os corpos nas costas de Brogan se tornam pesados demais pra carregar e ele decide se aposentar. Ele gostaria que fosse fácil assim, até descobrir coisas que não deveria, coisas que o transforma num alvo para o Projeto Gemini. O Gemini é o uso de clones para fins militares, literalmente armas biológicas, privados de emoções e dor, criados para matar.

O maior argumento para este filme era o novo tipo de tecnologia que trariam com o 3D+. Esse novo 3D se baseia em usar 60 quadros por segundo (diferentes dos 24 quadros usado tradicionalmente), essa projeção é muito usada em games, portanto não é tão inovadora assim fora do cinema. No caso desta obra, o diretor, Ang Lee, gravou em 120 quadros por segundo (os 60 são apenas porque não existem cinemas no Brasil que reproduzem os 120). E a diferença é o movimento é muito mais fluído, você consegue ver o movimento inteiro das ações, onde nem na vida real se vê. Para cenas de ação, e são muitas nesse filme, faz uma diferença enorme, já que a imagem é muito mais limpa. Esse novo modelo de 3D também melhora as noções de profundidade de planos. Só que essa imagem tão limpa luta contra a outra proposta do filme, que é o dublê digital rejuvenescido de Will Smith, com tudo de digital do filme na verdade.

Nós temos vários exemplos de dublês digitais usados antes deste filme: Robert Downey Jr em Capitão América: Guerra Civil, e o mais impressionante o retorno da jovem Sean Young em Blade Runner 2049, que é em todos os sentidos, perfeita. A  diferença esta em ser um filme inteiro com um ator que o público conhece desde sua juventude. E ai que vem o primeiro problema. O dublê digital é, em várias cenas, um boneco. Justiça seja feita, visto de perfil ou de longe, a semelhança, o crível, é assustador, mas quando se foca nele ou quando ele fala, torna-se óbvio que não é uma pessoa. No final do filme, a qualidade dos efeitos digitais cai tanto que é ofensiva aos olhos. As cenas de ação tiveram esse mesmo problema, apesar de terem o ponto positivo dos 60 quadeos, é claro que são falsas, que foram feitas em computador.

O pior, o que realmente destrói o filme por completo é a história patética. Escrita por David Benioff (um dos roteiristas da série Game of Throne), ela deixou claro de vez que David perdeu a mão para roteiro. Porque ela é patética no desenvolvimento (que não existe pros personagens), na construção de universo que é jogada fora, e em diálogos vergonhosos. É frustrante, pois os caminhos eram muito bons mediante ao argumento do filme, podia ter se desenvolvido o drama humano entre o clone e o original, ou o horror que é criar formas de vida humanas para serem usadas como armas. O elenco é cheio de atores ótimos (Benedict Wong, Clive Owen e Mary Elizabeth Winstead por exemplo), só que não há atuação boa com um texto tão pífio.

Um filme menor como esse  não deveria ter sido usado como propagando para essa tecnologia que seria fantástica em um Tigre e o Dragão, dirigido pelo próprio Ang Lee, inclusive.

 

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