Após o sucesso no último ano, o projeto Experimente Cultura acontece até o final de novembro com objetivo de bater o número de 3.500 atendimentos na última edição. Com a missão de derrubar o mito de que cultura é para poucos e de mudar o hábito de consumo, principalmente entre a população menos favorecida economicamente, a iniciativa apresenta museus e atrações culturais do Rio de Janeiro para alunos da rede pública, que em sua maioria nunca tiveram esse tipo de experiência. Além dos jovens, idosos de projetos sociais do município também são atendidos e podem conhecer equipamentos culturais gratuitamente, com transporte, guias e atividades lúdicas, especificamente preparadas para ambientar os participantes com cada destino, durante o trajeto.

A curadoria do projeto promove visitas a oito espaços de cultura do Rio de Janeiro (AquaRio, Centro Cultural do Banco do Brasil, Museu do Amanhã, Museu Histórico Nacional, Museu de Arte do Rio, Museu Aeroespacial, Jardim Botânico, Museu da Vida e Planetário) e segue apostando na democratização do acesso de crianças e jovens a cultura.

“No ano passado, em um momento tão triste da história cultural brasileira, com o incêndio do Museu Nacional, conseguimos mostrar o quão importante é construir essa ponte entre jovens e equipamentos culturais e ambientes que transmitam história, arte e cultura em nossa cidade. Em 2019, seguimos firmes com o propósito de que a cultura é para todos. Tanto que ampliamos os atendimentos para idosos. Recebemos muitas solicitações de interessados em participar do Experimente Cultura em 2018 e não conseguimos atender a todas. Comprovamos que existe um interesse muito grande da população por conhecimento, mas, às vezes, esta vontade esbarra em falta de conhecimento, de informações e também de condições, inclusive financeiras. Ficamos muito felizes em poder, novamente, proporcionar esses momentos, principalmente para aqueles que nunca tiveram oportunidade de ir a um museu”, afirmou a curadora do projeto Renata Prado.

Com a maioria de jovens e idosos tendo a primeira oportunidade de estar em um museu, a coordenadoria pedagógica do Experimente Cultura trata com muito zelo cada visita. Afinal, significa para muitos o início de um processo de transformação de vida.

“Acreditamos que a criança, enquanto está se formando como indivíduo, está mais propensa a adquirir conhecimento e aproveitá-lo efetivamente. Um momento como esse pode transformar sua vida. É claro que uma única visita a um museu não vai mudar definitivamente seu caminho, mas pode dar início a uma transformação, principalmente na maneira como ela enxerga e se relaciona com o mundo. Para nós, é fundamental cativar a criança, o jovem, para que crie gosto pela arte, pela cultura, por determinado tema abordado. E muitas vezes eles não têm oportunidade de consumir cultura dessa maneira, numa visita, numa experiência toda preparada para eles”, explicou a coordenadora pedagógica do projeto Rossana Lourenço.

Realizado pela Pulsar Cultura, o Experimente Cultura tem patrocínio do Grupo Assim e da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Estatísticas alarmantes

O estudo mais recente do Ministério da Cultura sobre a relação do brasileiro com a arte, de julho de 2017, comprova que, por mais que haja interesse da população, grande parcela não consegue consumir cultura como gostaria. No Rio de Janeiro, por exemplo, 63% dos cariocas não haviam ido a um Museu sequer nos 12 meses que antecederam a pesquisa. Pior que isso, 24% nunca havia ido a um Museu na vida.

Entre os jovens de até 15 anos a estatística piora: 29% nunca haviam ido a um Museu. Quando o recorte fica mais preciso, separando por classes econômicas, a disparidade aumenta: 69% dos jovens de até 15 anos das classes D e E nunca foi a um Museu. Comparando, de acordo com a pesquisa, 100% dos jovens da classe A já estiveram em Museus em algum momento da vida.

Ainda segundo o estudo, entre o público com mais de 60 anos, no Rio de Janeiro, 27% nunca haviam ido a um Museu. Com o mesmo recorte por classes econômicas, o número de pessoas com mais de 60 anos que nunca foi a um Museu aumenta para 50% nas classes D e E. Na classe A, assim como entre os jovens, 100% do público já esteve em algum equipamento cultural.

Crédito: Divulgação/Experimente Cultura

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here