Ambientado nos anos 1930, o livro acompanha o percurso de duas judias ortodoxas, Malka e Eva, que partem para o Brasil em busca de uma nova vida e se deparam com um período turbulento de repressão policial e perseguição política praticados pelo governo de Getúlio Vargas. A estrutura do romance mescla figuras e eventos reais da história a personagens ficcionais.

Roteirista e autor do livro de contos “A última coisa” (2015, editora Terceiro Nome), Elisabetsky começou a escrever o romance em novembro de 2018, determinado a ambientar o enredo em um momento histórico de mudanças políticas ostensivas por todo o mundo. “As personagens centrais são mulheres que são vítimas de diversas forças de opressão, dentro e fora da comunidade a que pertencem. Malka, por exemplo, é ostracizada por não conseguir provar que seu marido havia morrido na Guerra”, conta o autor. O tempo histórico retratado pelo autor passa por períodos como a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder pelas armas, a Revolução Constitucionalista e a tentativa do levante comunista no Brasil, planejada pela União Soviética. Nesse entremeio, figuras públicas como Olga Benário, Luis Carlos Prestes e até o jazzista Louis Armstrong passam pela obra.

“Sempre tive fascínio por obras que misturam acontecimentos reais e figuras conhecidas com a ficção”, justifica. No processo de pesquisa para a elaboração da obra, o autor recorreu a livros de história, artigos e conteúdos disponíveis na internet e entrevistas presenciais com pessoas que viveram o período retratado. “Mas é muito importante ressaltar que mesmo os fatos históricos não têm a intenção de serem fidedignos, há bastante liberdade criativa na elaboração do texto”, conta, destacando um trecho da orelha do livro, assinada pelo escritor Santana Filho: “Elisabetsky aproxima personagens das mais diversas procedências, ciente de que as histórias não precisam ser factuais, sequer verossímeis; exigem ser apenas reais”.

Como exemplos de autores que trabalham com o recurso da mistura da realidade com a ficção, Roberto destaca o cubano Leonardo Padura, o norte-americano Jonathan Franzen e o inglês Ian McEwan. “O Padura une muitas histórias verídicas à personagens fictícios; Franzen e McEwan trabalham com temas palpitantes no presente, como a questão ambiental, o levante das fake news e a bioética – o romance Enclausurado (McEwan), por exemplo, é narrado do ponto de vista de um feto”, ressalta o autor. “Mesclar esses elementos é interessante para excitar a imaginação do leitor e estimular seu conhecimento e olhar crítico – esse é um dos presentes que a literatura nos dá”, finaliza.

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