“Sonantes” é uma proposta individual da artista Ayla Tavares, que tem como objetivo uma exposição que propõe uma escuta que dispensa o tato e o espaço em que se insere.

Por meio da escuta e do engajamento corporal é possível a apreensão e compartilhamento de uma temporalidade dilatada, plasmada no barro e reverenciada na proposição que invoca a durabilidade da cerâmica, a materialidade tida como “eternas” pelos arqueólogos.

Ayla Tavares passa a se interessar por objetos arqueológicos encontrados em diferentes fontes (arquivo virtual de museus e in loco). A partir da consonância de formas encontradas na pesquisa de objetos cerâmicos, peças-arquivo geram uma constelação de objetos “estranhamente familiares”, buscando tencionar novas relações e gestualidades, para além de sua catalogação científico-museológica

A série propõe uma escuta que dispensa o tato e o espaço em que se insere. O objeto em cerâmica não permite ser queimado de forma compactada, para sua criação é imprescindível que sua moldagem seja feita sempre em torno de um vazio (sem esse oco a peça explodiria no forno). O oco, o vazio, o iato é essencial para que a forma exista. Em suas peças, o oco passa a ser o local de passagem e fluxo – escuta do aqui e agora: o ruído externo é filtrado por essas formas variando em cada objeto.

A realocação da hierarquia dos sentidos que propõe Ayla tem continuidade nos desenhos presentes na exposição. Ao mesmo tempo que a artista propõe uma escuta horizontal do barro, os desenhos cumprem um papel especulativo, que subverte a lógica do desenho científico. Funcionando como exercícios de fabulação em torno do espaço interior, alertando para o limite das bordas do cientificismo. A exposição resulta de exercícios de arqueologia sensorial, tencionando temas como arquivo, labor, escuta e tempo. Seus desenhos são executados posteriormente a moldagem e queima das peças, embora possam parecer projetos, apontam para uma indagação sobre a infalibilidade da visão, uma arapuca para o olhar, atuando como uma sombra anticartesiana que é capaz de revelar o oco e o objeto/matéria enquanto uma rede de nexos, propondo epistemes desviantes.

Serviço
Exposição “Sonantes”
Visitação: De 4/12/19 a 8/01/20
De segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 9h às 19h
Centro Cultural Light – Pequena Galeria (Av. Marechal Floriano, 168, centro)

Foto: Ayla Tavares

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