Baseado na peça de teatro “End of the Rainbow”, criada por Peter Quilter, o filme conta os últimos dias da lendária artista Judy Garland, que se tornou ícone absoluto do cinema desde o sucesso, ainda adolescente, no clássico O Mágico de Oz.

Antes de mais nada é necessário dizer que esta cinebiografia não aborda toda a vida da atriz, o foco está em sua decadência, quando teve que partir rumo à Londres para uma série de shows, por não conseguir meios de se sustentar nos Estados Unidos. Mesmo que isto lhe custe a distância dos dois filhos menores, que não puderam acompanhá-la.

O filme se passa no inverno de 1968, quando Judy Garland aceita estrelar uma turnê em Londres, por estar com ma carreira em baixa. Ao chegar, ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco.

Interpretada por Renée Zellweger, que carrega o filme inteiro nas costas, seja pela personagem, seja pela atuação – A construção da personagem, suas nuances, o olhar sofrido, o filme é enriquecido apenas por isso – . O diretor Rupert Goold escolheu Renée , devido à transformação física sofrida pela atriz nos últimos anos, que lhe rendeu anos de afastamento da vida pública. Renée encarna toda a dramaticidade do momento de vida de Judy Garland, com toda fragilidade emocional.

Em Judy – Muito além do Arco-Íris, a vemos como a cria de Hollywood, que teve um preço alto, no âmbito pessoal. O filme mostra um pouco da história por trás do mito, como o vicio em remédios para não comer, numa Hollywood ultrapassada evanescendo em virtude das consequências de anos de abuso e inadequação. Os breves flashbacks da época de O Mágico de Oz têm por função muito mais ressaltar a pressão massacrante que sofrera desde a adolescência, sendo obrigada a tomar pílulas e mais pílulas para ser uma artista perfeita.

Judy: Muito Além do Arco-Íris tem um olhar triste sobre a carreira de Judy Garland, que foi atravessada por problemas profissionais e de relacionamento. Infelizmente, o cineasta Rupert Goold não atende ao compromisso de uma cinebiografia que deveria ter traços mais deslumbrantes, com um roteiro que não transforme sua vida apenas aos padrões de magreza impostos como ideais. O filme não dá conta de organizar suas questões internas, Judy: Muito Além do Arco-Íris é piegas, mesmo com a grande atuação de Renée Zellweger.

*filme visto durante o Festival do Rio 2019

 

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