O diretor Eric Goode recebe uma ligação a cobrar de um presidiário chamado Joseph Schreibvogel, mais conhecido como Joe Exotic. É assim que a série documental da Netflix, “Tiger King: Murder, Mayhem and Madness” (antes conhecido como “A Máfia dos Tigres”, porém o serviço de streaming alterou para a versão original do título em inglês), em tradução livre seria “Rei Tigre: Assassinato, Caos e Loucura”.

Existem várias, e várias maneira de descrever uma síntese do que é esta série, contudo acho que palavras não serão suficientes para isso. Existe o dizer “A vida imita a arte”, mas no caso de “A Máfia dos Tigres” a vida real superou qualquer roteiro que se poderia criar. E você sabia que existem mais tigres em cativeiro nos Estados Unidos do que livres no mundo todo? Sim, isso é vida real.

Em resumo, o documentário percorre a vida de alguns donos de zoológicos privados nós EUA, com destaque em Joe Exotic, dono do Greater Wynnewood Exotic Animal Park. Tendo Joe como protagonista, ou algo próximo disso, a série escolhe Carole Baskin, CEO do Big Cat Rescue, um santuário de animais na Flórida. Baskin também é uma forte ativista pelos direitos dos animais, que bate de frente com os interesses comerciais de Joe e seus colegas donos de zoológicos. Entre outros donos que recebem destaque na série está o Doutor Baghavan Antle (apesar de nenhuma comprovação de doutorado, a série e ele mesmo o referem como Doutor), e depois tem dele tem alguns outros pequenos donos, como Mario Tabraue. Mario foi preso por tráfico de drogas envolvendo seu zoológico, que ele ainda possui, e é o único local completamente fechado na série.

A direção de Goode e a co-diretora, Rebecca Chaiklin, é impecável! Lentamente, e com precisão cirúrgica, a série apresenta seus personagens como os maridos de Joe.

Além de toda a bizarrice que parece até cômica, existe uma denuncia de abuso de animais e de abismo social seríssimo. O motivo dos donos de zoológicos serem tão odiosos é que o lucro deles vem da criação dos grandes felinos, e da venda de filhotes. Um tigre, ou outro grande felino, só dá lucro até alguns meses de idade, depois disso ele virá uma máquina de matar e comer que só dá prejuízo. O conteúdo social está nessa sociedade redneck norte-americana, que é profundamente conservadora, e até retrógrada, possuindo um certo nível de ignorância formal, e até bom senso.  São pessoas que não tem a mínima noção de nada fora do seu microcosmo.

E mesmo depois disso tudo, ainda há muito assunto abordado por Tiger King, que você só vai descobrir assistindo. Mas te digo, não há um drama humano nesta série que não tenha sido causado pelas próprias pessoas. A única vítimas real que a série denuncia são os de 5 a 10 mil tigres que vivem em cativeiro, sabe-se lá em que condições, enquanto só existem cerca de 4 mil em liberdade pelo número.

 

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