Foto: Renan Lima.

A partir do dia 26 de fevereiro, o visitante será surpreendido pela mostra Parque, que reúne textos e trabalhos de linguagens artísticas variadas, de caráter informativo, plástico e/ou conceitual, acerca do local tombado pelo IPHAN como Patrimônio Histórico e Cultural da cidade.

Organizada pela Escola de Artes Visuais, a mostra Parque, curada por Ulisses Carrilho, dedica-se a narrar a história deste território sob perspectivas documentais, arquitetônicas, artísticas e até amorosas. Documentos históricos e proposições contemporâneas inspiram novas interpretações e caminhos pelo palacete da década de 1920, bem como pela exuberante área verde com vegetação típica de Mata Atlântica, da Floresta Nacional da Tijuca.

A pergunta “afinal, onde estamos?” move o projeto curatorial da Mostra Parque que se propõe a traduzir espacialmente a história deste território. “Tanto o título como o argumento desta mostra partem das notas de elaboração do projeto didático cultural do crítico Frederico Morais, que dirigiu a EAV nos anos 1980. Ele considera que a localização da Escola num parque público deveria pressupor uma integração com a comunidade mais próxima e com a cidade. Daí o argumento de olharmos de forma mais responsável e generosa para o fluxo de turistas que chega à Escola de Artes Visuais do Parque Lage com o desejo de entender a arquitetura e conhecer a trajetória desse lugar. Nos interessa criar pontos de conexão entre a história da intelectualidade e a história da burguesia como forma de apresentar uma perspectiva crítica sobre o Brasil”, comenta Carrilho.

No hall de entrada do casarão, o público é recebido pela narrativa sonora das pesquisadoras Flavia Fabbriziani e Paloma Carvalho, com gravações originais da cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni, primeira moradora do palacete (leia a síntese da história mais abaixo). Inspirado em sua atividade como professora no conservatório por ela criado no Parque Lage, o trabalho revela a vocação pedagógica de Besanzoni, que antecede a fundação da Escola de Artes Visuais.

Na galeria 1, obras de ex-alunos da EAV, como Rafael Bqueer, Agrippina Roma Manhattan, Lyz Parayzo e João Penoni se relacionam com 19 fotografias do Instituto Moreira Salles, de autoria de Carlos Moskovics, datadas de 1944, para uma matéria da Revista Sombra intitulada “Gabriella Besanzoni Lage – uma voz de combate”, publicada em março do mesmo ano. Completam o painel documental registros do casal Besanzoni Lage e de exposições como a icônica “Como vai você geração 80”.

Os trabalhos se sobrepõem ao mural site-specific de Bernardo Magina, artista e professor de pintura da EAV. Com 4m x 6m, a obra mescla referências arquitetônicas a imagens da natureza e, de acordo com Magina, que desenvolveu uma paleta específica, é um apanhado de memória visual que narra as histórias da antiga mansão dos Lage e da escola fundada por Rubens Gerchman nos anos 1970.

Mais adiante, no Salão Nobre, há uma projeção em grande escala da videoinstalação de Daniel Jablonski. O trabalho é uma edição dos filmes “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha; “Macunaíma” (1969), de Joaquim Pedro de Andrade; e “Os mercenários” (2010), de Sylvester Stallone, todos filmados no casarão do Parque Lage. Foram retirados os elementos de suas narrativas ficcionais – como rostos, diálogos e som – restando apenas fragmentos soltos da arquitetura do palacete, com vistas alternadas da piscina, fachada, colunas, portas e salões.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here