Em 2020, o Boogarins redirecionou a energia de shows e turnês para novos lançamentos como remixes, participações com outros artistas e dois álbuns, “Manchaca: A Compilation of Boogarins memories, demos and outtakes from Austin,TX Vol. 1”(OAR) e “Levitation Sessions (Ao vivo)”.

Agora o grupo anuncia o segundo e último volume da série de compilações “Manchaca”, uma espécie de ponto final nos lançamentos dessa fase da banda que, ao encerrar esse ciclo, abre infinitos caminhos onde o frescor de sua música pode ecoar ainda mais.

Se em seu antecessor o grande mote por trás da seleção das faixas era elucidar as diversas gêneses e processos por trás dos últimos álbuns, o repertório de “Manchaca Vol. 2” teve seu corpo construído com base em outra ideia: mostrar como a banda aperfeiçoou o ato de trazer o que era criado em sessões de improviso para dentro das músicas.

Os registros majoritariamente se dividem entre as sessões de gravação do Lá vem a Morte (OAR, 2017) / Sombrou Dúvida (OAR, 2018) feitas em Austin, TX entre 2016-2017 e sessões de pré-produção / ensaio para o Sombrou Dúvida, realizada em 2017 no estúdio Fábrica de Sonhos em São Paulo.

Canções como “Correndo em fúria” e “Meto o Loco”, ambas criadas em improvisos feitos durante a gravação do curta “Boogarins na Casa das Janelas Verdes” (2017), quando gravadas de forma “definitiva” pela banda em Austin, TX, ganham asas e ares grandiosos, evoluindo naturalmente dentro de novos arranjos e texturas sonoras.

Também gravadas em Austin, TX, “Derramado”, “Debaixo do Cobertor”, “Supernova” e “Basic Lines” (canção em inglês, composta nos primórdios da banda, mas nunca gravada, revisitada por Benke Ferraz durante o mesmo exercício de composição em inglês que deu origem a “Make Sure Your Head is Above” do primeiro volume), são canções fortes, começadas em estúdio, finalizadas posteriormente aos poucos e que mostram como a identidade sonora dos Boogarins floresce nas mais diversas formas, ritmos e estilos de música.

Além disso, das sessões que eram pra ser só uma pré-produção, o grupo garimpou momentos iluminados de improviso como “Rolê Torto” e “vc sabe mto” (Que em outro take deu luz a faixa “Você Sabe Muito”) mas também de ideias mais estruturadas como “Começa em Você”. A única faixa gravada totalmente de forma “caseira” (algo que sempre fez parte do universo sonoro dos Boogarins) é a linda homenagem de Raphael Vaz para Goiânia, “Eixão”, onde sentimentos nostálgicos, mergulhados em sons etéreos e guiados por sua voz doce, levam qualquer um pra alguma cidade que já foi sua casa e hoje em dia não é mais.

“Far and Safe” (versão em inglês da faixa “Te quero longe”) fecha o disco com uma mostra prática de como a música dos Boogarins não termina neles mesmos, mas é feita para crescer no outro. A versão teve a letra reformulada por John Schmersal (Brainiac, Enon, Vertical Scratchers e Caribou) e foi maravilhosamente interpretada por Erika Wennerstrom (Heartless Bastards).

Tentando fazer com que a sonoridade das canções também fosse um elemento de registro desse momento do grupo, além de Benke Ferraz (produtor em todos os discos da banda) foram convidados para mixar algumas faixas do segundo volume os engenheiros de áudio que acompanharam a banda nos shows ao vivo durante esses anos (Alejandra Luciani, Bernardo Pacheco e Renato Cunha).

“Manchaca: A Compilation of Boogarins memories, demos and outtakes from Austin,TX Vol. 2” não é uma compilação de músicas não acabadas e não lançadas, mas sim um disco cheio de vida que ao trazer canções mais elaboradas ou “lapidadas” do que as do primeiro volume, apresenta uma outra forma do seu íntimo criativo, da sua fonte, onde toda psicodelia e experimentalismo que permeiam os registros e apresentações do grupo se unem e crescem em forma de canções que evidenciam a grande quimera cultural que é a base da música popular brasileira.

 

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