O 14º Visões Urbanas – festival Internacional de dança em paisagens urbanas, que acontece entre 15 e 24 de outubro, com a participação de artistas brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia e Minas Gerais, e dos EUA, México, Cuba e Espanha, ainda será on-line, tendo em vista o cenário que se mantém complexo diante da pandemia, contrariando as expectativas criadas no primeiro semestre, quando da edição anterior do Festival.

Mesmo impossibilitados de retornarem às ruas com suas criações, os artistas inventam lugares e o VU pode, novamente, trazer uma amostra de como a arte da dança continua pulsante. Casas, quintais, ruas, praças, estúdios de gravação, travessias, paisagens e horizontes serão compartilhados em criações que alimentam a imaginação e dão materialidade a sonhos, revoltas, incertezas e desejos.

A intensa programação do 14º Visões Urbanas prevê espetáculos, oficinas, conversa e os tradicionais Urbaninhas, com ações dirigidas ao público infanto-juvenil, e a Mostra Internacional de Videodanças, com trabalhos do festival Invisible Shadows, realizado em Lisboa – Portugal, e exibições diárias de vídeodança na hora do almoço (12h) e lanche da tarde (17h), tudo gratuito e transmitido online no canal do Youtube da Cia. Artesãos do Corpo e nas redes sociais de espaços culturais e portais parceiros.

A noite de abertura, no dia 15 (sexta-feira), às 20h, traz “Quando todas as folhas caem”, obra que celebra os 30 anos de trajetória autoral de Ciça Ohno, do núcleo Fu Bu Myo In, baseada em seu livro homônimo de haikais, e, na sequência, Marcos Tó, que dança “Antes D+ Nada” na vermelhidão do solo mineiro, constantemente ameaçado.

O 14º Visões Urbanas conta com exibição de outras 12 performances, todas criadas a partir do contexto pandêmico em que vivemos, tem continuidade no sábado e domingo e no fim de semana seguinte, apresentadas sequencialmente, a partir das 20h, além de quatro dentro da programação do Urbaninhas, a versão do Visões voltada para crianças e adolescentes, nos dois sábados e domingos, às 15h.

Além disso, as oficinas do 14º Visões Urbanas acontecem nas manhãs dos sábados e domingos (das 10h às 13h), ao vivo on-line pela plataforma Zoom, com inscrições antecipadas e número limitado de vagas para participação.

De segunda a sexta (18 a 22), sempre às 12h e às 17h, acontece a Mostra de Videodança, com criações de diversos países exibidas nos canais do youtube e Instagram de seis espaços culturais parceiros – Oficina Cultural Oswald Andrade, Portal MUD, Centro de Referência da Dança, Ocupação Artística Canhoba, Laramara e Ver Com Palavras -, sustentando, mesmo que de modo virtual, a proposta original do Festival Visões Urbanas de ocupar, com dança, espaços públicos, históricos e simbólicos da cidade. Todos os trabalhos terão recurso de audiodescrição.

Ainda na segunda, às 20h, Luis Arrieta é o convidado da Conversa Artesanal, numa tentativa de reconstruir uma cartografia dançante e afetiva por meio de imagens, memórias e vestígios dos espaços habitados e tocados pela sua dança em edições do Festival Visões Urbanas – Pátio do Colégio, MIS, Praça das Artes, Museu de Arte Sacra, Instituto Italiano de Cultura, Casa das Rosas, Sesc Santo Amaro e Instituto Tomie Ohtake.

A Mostra Internacional de Videodança – Invisible Shadows, realizada em Lisboa-Portugal, parceira do VU de longa data, exibe na quinta (22), a partir das 21h, 11 filmes de vários lugares do mundo que, direta ou indiretamente, surgiram como manifestações da experiência artística em tempos de confinamento, revelando imagens de espaços que se manteriam invisíveis, não fosse a resiliência criativa dos seus autores.

As transmissões dos espetáculos retornam na sexta-feira, dia 22: a Entremans, companhia espanhola formada por bailarinos cubanos residentes na Galiza, apresenta “Amparo”, solo de Ana Beatriz Pérez, inspirado no romance “La Tribuna”, de Emilia Pardo Bazan, em homenagem às trabalhadoras de fazendas de fumo que lutaram por liberdade, direitos e justiça, já a Cia Dual, de São Paulo, apresenta “Pavão Misterioso”, uma co-produção com artistas mexicanos, inspirada no cordel “O Romance do Pavão Misterioso”, que mescla dança, animação de bonecos e linguagem audiovisual para refletir sobre o narcisismo, a construção narrativa e a criação artística na contemporaneidade.

Por fim, no domingo, 24, o último dia do Festival, o Grupo Flying Low, celebra a amizade em momento de máxima urgência, com “Even in the trash grows flowers”, interpretada por Lee Anderson e Koide Ura. O encerramento do Visões Urbanas fica a cargo da Cia Damas em Trânsito e os Bucaneiros, com “Tempo Submerso”, criação de 2021, resultado de residência artística que reuniu 28 pessoas, artistas ou não, de faixas etárias distintas, e trouxe a temporalidade como foco, compreendendo o corpo em constante movimento e transformação.

Criado pelos artistas e pesquisadores Ederson Lopes e Mirtes Calheiros e realizado pela Cia. Artesãos do Corpo, o festival Visões Urbanas é um encontro artístico tendo a dança e a cidade como focos principais de sua programação. Já participaram do festival ao longo de suas 13 edições, artistas de vários estados do Brasil e diversos países: Portugal, Espanha, França, Argentina, Uruguai, Colômbia, Turquia, México, EUA, Cuba, Alemanha, Bélgica, Itália, Japão, Moçambique e Ucrânia.

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