Espetáculo é inspirado no romance de Alice Walker, primeira mulher negra a ganhar o Pulitzer.

"A Cor Púrpura"
Foto: Rafael Nogueira

“A Cor Púrpura” ganhou mais uma adaptação musical, agora em terras brasileiras. Aliás, se você ainda não conseguiu ler o livro de Alice Walker ou nunca pôde ir à Broadway para assistir à peça que ganhou nada mais, nada menos que onze indicações ao Tony Awards, listei abaixo cinco motivos pelos quais você não pode perder a chance de assistir!

1. Autora do livro que inspira à adaptação é negra 

Nascida em 1944, Alice Walker encontrou refúgio na literatura, após ser atingida por uma bala de chumbo que lhe custou a visão de um de seus olhos. Mesmo com a sua realidade difícil conseguiu estudar e, enfim, em 1982, publicou seu livro mais popular. Aliás, “A Cor Púrpura” rendeu à autora dois grandes prêmios: o Pulitzer e o National Book Awards. Além disso, sua história foi eternizada no cinema, em 1985, com direção de Steven Spielberg. A obra recebeu 11 indicações ao Oscar.

Além de “A Cor Púrpura”, a autora possui uma vasta obra literária que inclui sete romances, quatro reuniões de contos, quatro livros infantis e volumes de ensaio e poesia. Aliás, coloca ai na sua listinha o primeiro livro da autora intitulado “A terceira vida de Grange Copeland” sobre o cotidiano de uma família negra no Sul dos Estados Unidos, por três gerações. Alice Walker é, surpreendentemente, corajosa ao abordar temas profundamente delicados e tabus dentro da própria comunidade negra.

2. Texto de “A Cor Púrpura” oferece uma chance para repensar nossos dias atuais

Embora o livro tenha sido escrito no século passado, apresentando a dramática história da vida de uma mulher negra no meio da zona rural, no Sul dos Estados Unidos, o enredo é completamente atual. Ainda hoje, questões que giram em torno do abuso de poder exercidas pelo patriarcado se fazem presentes na sociedade.

Por mais triste que a vida da personagem Celie possa ser, a peça é muito além de uma história de ficção, é, certamente, baseada  na vida de muitas mulheres que sofrem e muito com relacionamentos tóxicos. Além disso, o texto ainda fala de racismo, masculinidade tóxica, desigualdades sociais e econômicas. Muitas camadas são desdobradas durante a peça e nos trazem uma importante reflexão sobre nossas próprias vidas.

A adaptação brasileira conta com a assinatura do Artur Xexéo e direção de Tadeu Aguiar.

3. Uma forma de propagar e reacender a luta pelos direitos civis

O Rio de Janeiro é o Estado que segue liderando com o maior número de violações de direitos contra pessoas negras somente neste ano de 2022. Se a violência racial que explode dia após dia é incapaz de paralisar as atividades no nosso país, quem sabe, a arte pode nos tirar dessa inércia. Seria um sonho da minha parte?

A peça conta com 18 atores, oito músicos, 92 figurinos e um grande palco giratório que conta com uma iluminação empenhada em dar seu toque todo especial ao espetáculo. Assistir à peça é se dar um momento de dizer não ao racismo que ainda mata (muitas) vidas negras, mas que ao mesmo tempo é capaz de dar possibilidade de existência e vida através da arte, revelando artistas negros para o Brasil. Como diz Celie na peça: “Eu vou seguir muito agradecida pelo bom e o ruim dessa vida, e o principal sou grata por amar quem eu sou e que eu sou bonita sim e estou aqui”.

Por fim, é importante dizer que “A Cor Púrpura” é um ato de resistência! Nascer, crescer e viver sendo negro no Brasil, certamente, não é fácil!

4. O amor tem sempre a porta aberta

Todas as mazelas vividas por Celie, Nettie e outras personagens são contadas em 30 canções, mas existe um ponto sutil que ultrapassa as dores vividas por todas elas, que é a necessidade de receber e dar amor. Busca essa que perpassa pela fé, pela religião, pela vida em si e configura a busca universal e que cabe dentro de todo coração humano independente do gênero, da cor de pele ou da nacionalidade.

5. Curtíssima Temporada!

Corre que está acabando! As apresentações acontecem entre os dias 20 de Janeiro e 20 de Fevereiro, quintas e sextas-feiras, às 20h; aos sábados, às 16h e 20h e aos domingos, às 18h. A boa notícia é que todas as quintas-feiras os ingressos são a preço popular, a partir de R$25 reais.

E aí, gostou? Deu para sentir um pouco da potência desse texto tão necessário? Então, não perca tempo e corra para assistir. Ainda dá tempo!

Confira o serviço completo da peça!

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