Peça é sobre o afeto.

Sorriso de Mãe
Foto: Nil Caniné

Se existe um vínculo que é único para cada um, repleto de nuances, infinito quando se trata de amor, e universal, é o vínculo entre mãe e filho esse é o mote do monólogo “Sorriso de Mãe”, que mostra com muita delicadeza e sensibilidade as memórias da união entre Cícero, interpretado por Joelson Medeiros, e sua mãe.

Esse encontro seria um sonho? Realidade? Diante da plateia, o protagonista narra e revive lembranças, causos, personagens e amigos que ambos conheceram pelo caminho, costurando uma narrativa que enfatiza aspectos emocionais dessa relação e, consequentemente, a necessária valorização dos afetos familiares.

Um dos autores mais lidos do país e membro da Academia Paulista de Letras, da Academia Brasileira de Educação e da Academia Brasileira de Cultura, Gabriel Chalita escreveu “Sorriso de Mãe” antes da pandemia, ao se solidarizar com um amigo que havia perdido sua mãe. Hoje, a peça ganha novos contornos ao estrear num tempo em que as relações familiares e amorosas nunca foram tão importantes.

“Fui atingido pela tristeza daquela despedida. Fiquei pensando em tantas histórias como aquela e isso me inspirou a falar da celebração dos momentos que eles viveram juntos e de homenagear não somente esse vínculo, mas todos os vínculos humanos. Não de um jeito triste. Ao contrário. Com muita verdade e sensibilidade”, conta o autor.

A simplicidade vai dar o tom do jogo de cena, que se apoia na interpretação de Joelson Medeiros. Assim, as histórias dos personagens que vão surgindo, à medida que Cícero revisita o passado. Ele vai apresentando ao público as vivências ao lado de sua mãe e a plateia conhece, ao mesmo tempo, a história dos dois e a maneira como Cícero sente esses fatos.

Aliás, o próprio personagem diz para a mãe em determinado momento: ‘são muitas histórias, várias vidas em uma só”, é justamente, isso, muitas vidas em cena. A maior preocupação é humanizar ao máximo esses personagens apresentados por Cícero, sem que eles se sobreponham à história.

Para conduzir essa história com a humanidade e a sensibilidade necessárias, Fernando Philbert responsável pela direção de aclamados espetáculos como “O Escândalo Phillipe Dussaert” e “Todas As Coisas Maravilhosas” – pelo qual recebeu uma indicação ao Prêmio Shell de direção -, optou pela simplicidade, pois para ele, a relação entre mãe e filho é baseada nas coisas simples.

“Todo mundo, em algum momento, é impactado pelo texto e pelas questões que ele traz. Além disso, ‘Sorriso de Mãe’ aborda essa relação pelo cotidiano e o cotidiano tem uma força imensa. Ainda mais nos dias de hoje. É importante lembrar que ficamos dois anos isolados em casa e que muita gente ficou exilada do seu próprio cotidiano. Assim, a peça usa o dia a dia para comunicar, trazendo uma delicadeza que vai atravessar as pessoas com muita potência”, afirma Philbert.

O diretor vê no teatro um ambiente paralelamente ligado às reflexões familiares: “A gente aprende sobre a vida ouvindo e vendo os nossos pais. O teatro também é isso. Ele acontece desse encontro com o público, é uma ação de ouvir. Tanto o ator ouve a plateia, quanto o contrário”, diz.

Se esse encontro é uma despedida, uma visita, um sonho ou uma conversa entre Cícero e sua mãe, o público decidirá. Em tempos de pandemia, ‘Sorriso de Mãe’ traz uma história universal que também reverbera nas vivências da equipe criativa

Em se tratando de maternidade, todo mundo tem uma história. Mas os tempos atuais, principalmente pelo contexto de pandemia, fazem com que as relações e os encontros ganhem outra importância e novos significados.

“Vivemos um momento de fragilidade da humanidade, de muito ódio, de demonstração da loucura humana. O ser humano é caótico. Assim, ‘Sorriso de Mãe’, hoje, é muito mais atual do que quando escrevi. Vivemos uma época em que precisamos valorizar as pessoas que estão próximas, experimentar o amor nas diferenças, compreender o que é passageiro na vida e o que é essencial”, diz Gabriel Chalita, que perdeu sua mãe há dois anos. “Um dos meus maiores medos era o de perder a minha mãe. Hoje, tenho uma saudade imensa, mas também uma compreensão da beleza de tudo que vivi com ela”, completa.

 “Muita gente vai se identificar, vai ouvir as histórias e pensar na própria vida. Parece bobeira falar isso, mas quem fala em amor hoje em dia é julgado, apedrejado. Infelizmente, é esse o tempo que estamos vivendo. Aqui, o importante é o amor, a preocupação com o outro. É o que esse filho vai mostrar ao público”, conclui Philbert.

A peça estreia no dia 11 de março e ficará em cartaz até 3 de abril de 2022, sextas e sábados, às 20h; e aos domingos, às 19h, no Local: Teatro dos Quatro ( Shopping da Gávea, 2 piso – Rua Marquês de São Vicente, 52, Gávea), cumprindo todos os protocolos de segurança. Ingressos pela Sympla.

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