Ex-Ministro da Cultura ocupará a cadeira 20 da instituição.

Gilberto Gil
Foto: Dani Paiva/ABL

 Gilberto Gil, cantor, compositor instrumentista e também ex-Ministro da Cultura, é o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Gil tomou posse na noite desta sexta, 08 de abril, quando passou a ocupar a Cadeira 20 da Academia, sucedendo Murilo Melo Filho, advogado, escritor e um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX, falecido no dia 27 de maio de 2020.

 Os ocupantes anteriores da cadeira 20 foram: Salvador de Mendonça (fundador) — que escolheu como patrono Joaquim Manuel de Macedo –, Emílio de Meneses, Humberto de Campos, Múcio Leão e Aurélio de Lyra Tavares.

“Entre tantas honrarias que a vida generosamente me proporcionou, essa, certamente, tem uma dimensão especial. Não só porque a ABL é a casa de Machado de Assis, escritor universal, afrodescendente como eu, mas também porque a ABL representa a instância maior, que legitima e consagra, de forma perene, a atividade de um escritor ou criador de cultura em nosso país”, declarou Gil na sua cerimônia de posse.

Eleito com 21 votos para integrar o grupo de imortais no dia 11 de novembro de 2021, Gilberto Gil estreita os laços da Academia com a música e a cultura popular brasileira. “Sou filho de uma professora primária e um médico. A eles devo o meu amor as letras e musica. A imagem dos meus pais está comigo nessa noite e sua memória para mim é uma benção”, pontuou emocionado.

Desde cedo, Gil mostrou interesse por música e cresceu ouvindo os intérpretes da época, entre eles, Sílvio Caldas, Orlando Silva e Francisco Alves. Com 9 anos, já em Salvador, ao mesmo tempo que cursava o ginasial, estudava música na Academia Regina. Seu instrumento preferido era o acordeão, mas aprendia também a tocar violão. Em 1960, Gilberto Gil ingressou na Universidade Federal da Bahia para cursar administração de empresas. No ano seguinte, ganhou um violão de presente de sua mãe.

Ainda estudante de música, Gilberto Gil fazia parte do conjunto “Os Desafinados”, onde ele praticava o que aprendia na academia de música. Em 1963 fez sua primeira música “Felicidade Vem Depois”, um samba bossa-nova inspirado no estilo João Gilberto, que nunca foi gravada.

No final de 1963, Gilberto Gil conheceu Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa e Tom Zé, com quem iniciou mais tarde o movimento artístico chamado “Tropicalismo” Em 1967, a música “Domingo no Parque”, que Gilberto Gil cantou com a participação dos Mutantes, ficou em 2.º lugar no III FMPB, festival que foi o ponto de partida para o “Tropicalismo”.

A ideia do movimento tropicalista era a fusão de elementos da música inglesa e americana junto com as músicas de João Gilberto e Luiz Gonzaga. O movimento causou polêmica, porém, abriu portas para uma nova etapa na música popular brasileira. Ainda em 68, ele lançou o disco “Gilberto Gil” com 14 músicas, entre elas, “Procissão” e “Domingo no Parque”, e um disco manifesto, intitulado “Tropicália” do qual participaram Caetano, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Torquato Neto.

O Movimento Tropicalista foi considerado subversivo pela ditadura militar e Gilberto Gil foi preso, junto com Caetano Veloso. Em 1969 Gil se exilou na Inglaterra e lançou o disco “Gilberto Gil”, com a música “Aquele Abraço”, última música que Gil gravou no Brasil, um dia antes de partir para a Europa. Aquele Abraço foi o seu maior sucesso popular e tornou-se um samba de despedida.

No início de 1972, Gilberto Gil voltou definitivamente ao Brasil, em seguida lançou “Expresso 2222”. Em 1976, junto com Caetano, Gal e Betânia, formaram o conjunto “Doces Bárbaros” que rendeu um álbum e várias turnês pelo país. Em 1978, se apresentou no Festival de Montreux, na Suíça. Nesse mesmo ano ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Word Music com “Quanta Gente Veio Ver”.

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