"Na medida do impossível"
Foto: Carolina Warchavsky

“Na medida do impossível” é um monologo que se passa durante uma madrugada de insônia de uma mulher contemporânea. Refletindo sobre seu afastamento do mundo,  iniciado anos antes do começo da pandemia, além de seus medos e dificuldades no convívio social, texto discute como voltar a viver.

O ponto de partida do monólogo “Na medida do impossível” leva à cena uma discussão bem-humorada sobre saúde mental, solidão e os medos que enfrentamos diante de uma vida que recomeça.

Com toques de autoficção, a história se passa justamente durante uma madrugada, quando conhecemos os pensamentos dessa mulher exilada dentro da própria casa, enfrentando o pânico e a depressão, além disso, ela imagina conversar com um amigo que morreu muito jovem.

Com direção de Victor Garcia Peralta, a autora e atriz Luciana Fregolente volta aos palcos depois de 10 anos na pele de uma tradutora de livros, casada e mãe, que expõe sua crescente dificuldade em se conectar com o ser humano.

Idealizadora do projeto, Luciana Fregolente escreveu a peça nas madrugadas de uma semana, ainda no começo da pandemia, quando, aliás,  já não tinha mais uma rotina definida.

 “Criei uma mulher que vive sua própria pandemia, não sai mais de casa por causa de uma síndrome do pânico. Uma mulher que criou sua própria prisão. Numa noite, ela começa a contar para um amigo já morto o que mudou nas últimas décadas tanto na sua vida quanto no mundo”, detalha Luciana. “Ela explica desde o que são os millenials e o Uber até o quanto ela engordou, envelheceu e se afastou dos amigos”, acrescenta.

Grandes amigos há 15 anos, Victor Garcia Peralta e Luciana Fregolente foram parceiros de trabalho na comédia “Alucinadas”, que estreou em 2010 nos palcos e, depois, foi adaptada para um programa no Multishow. O diretor foi o primeiro a ler “Na medida do impossível” e conta que, logo, se entusiasmou a montar o espetáculo. “Eu admiro a forma como a Luciana trata um assunto como o pânico com leveza e humor, mas sem tirar a profundidade que o assunto requer. Com a pandemia, ninguém escapou das sequelas emocionais e é preciso falar disso urgentemente”, comenta Peralta.

Luciana acredita que, com humor, a gente consegue expor nossas dores com mais facilidade. “Nesse momento, certamente, todo mundo está com a cabeça complicada, então é muito importante discutir saúde mental, depressão, pânico. Acho essencial que as pessoas tirem suas neuroses do armário. O teatro é um ótimo meio para a gente refletir sobre esse tema, principalmente na comédia que nos deixa mais à vontade para trazer à tona o que nos machuca de verdade”, conclui.

Serviço
Temporada: 1º de julho a 1º de outubro de 2022
Teatro Cândido Mendes: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema
Dias e horários: sexta e sábado, às 22h.
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Vendas na bilheteria e pelo site Sympla
Duração: 55 minutos
Classificação Etária: 14 anos.

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