Em 2022, completa-se 200 anos desde que, à margem do Rio Ipiranga, Dom Pedro I vociferou o famoso “Independência ou morte!”, grito de bravura que simbolizou a transformação do Brasil em uma nação independente de Portugal. Agora, a efeméride é festivamente celebrada no concerto que a Orquestra Sinfônica Brasileira leva ao palco da Cidade das Artes.

 Com regência do maestro Claudio Cruz e participação do solista Giulio Draghi, o programa integra a Série Pianistas Guiomar Novaes e contará com obras de Sigismund von Neukomm, César Guerra-Peixe, além da estreia mundial do Concerto para Piano, do carioca Rodrigo Cicchelli.

Embora não fosse brasileiro, o primeiro compositor do programa , Sigismund von Neukomm, marcou a vida e a história musical do país quando, em 1816, desembarcou no Rio de Janeiro na comitiva do Duque de Luxemburgo. Aluno favorito de Joseph Haydn, Neukomm seria responsável por estrear aqui obras de seu mestre, mas também por inaugurar em suas composições uma prática que se tornaria marca registrada da produção musical nacional: aquela de mesclar elementos da música popular à música de concerto. Nos cinco anos em que morou no Brasil, Neukomm escreveu uma série de composições, atuou como instrumentista e teve uma marcante atividade como professor. Entre os seus alunos, estão Francisco Manuel da Silva (autor da melodia do hino nacional brasileiro) e D. Pedro I, que proclamaria a Independência do Brasil. A Abertura para Grande Orquestra, que será apresentada pela OSB neste concerto, é uma peça curta, mas de caráter grandioso, exultante, em que o estilo vienense é potencializado por uma orquestração mais robusta.

Foi às margens de um rio que D. Pedro I proferiu o famoso grito da independência; e é para uma peça de inspiração aquática de um talentoso compositor brasileiro que este concerto aflui após a Abertura de Neukomm. O público ouvirá a estreia mundial do Concerto para Piano de Rodrigo Cicchelli. Apelidado de “Netuno”, deus romano dos oceanos, a peça apresenta quatro movimentos, alguns com alusão direta a motivos marinhos. O concerto começa com uma “Abertura” de ímpeto movente, mas com episódios de divagações suspensivas e mágicas. Em “Fosforescências do Mar / Aivazovsky” – movimento seguinte – o elemento áqueo se anuncia não só através do título, mas também através das sonoridades. Depois de um “Scherzo” jocoso, a peça avança para seu finale, “Dança de Netuno”, que começa com uma longa e vigorosa cadenza para o solista, seguida de uma dança igualmente potente.

Fechando o programa, a Orquestra Sinfônica Brasileira apresenta a obra Museu da Inconfidência, de César Guerra-Peixe. Na peça, o compositor retrata uma visita ao museu de Ouro Preto, em Minas Gerais, onde, no final do século XVIII, se desenhou um dos primeiros movimentos a favor da Independência do Brasil. De alto teor trágico, a composição se estrutura em quatro movimentos: uma “Abertura” cheia de tensões harmônicas; “Cadeira de Arruar”, em que convivem energia e ironia; “Panteão dos Inconfidentes”, em que é possível ouvir a aflição agoniante dos insurgentes mineiros embalada numa atmosfera fúnebre; e, finalmente, “Restos de um Reinado Negro”, cheia de contraste e com um poderoso solo para fagote. Concluída em 1972, Museu da Inconfidência foi premiada no Concurso do Sesquicentenário da Independência do Brasil, em 1972.

SERVIÇO:
Orquestra Sinfônica Brasileira – Série Pianistas Guiomar Novaes
Dia 10 de junho de 2022 (sexta-feira), às 19h30
OSB – Concertos para a Juventude
Dia 12 de junho de 2022 (domingo), às 11h
Local: Cidade das Artes | Grande Sala (Avenida das Américas, nº 5.300 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)
Ingressos à venda na bilheteria da Cidade das Artes e no site Sympla

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here