Gabriel GreccoGabriel Grecco lança série de telas “Flopou, chorare!” no Mãe Joana, bar queridinho da boemia carioca em Botafogo. As obras com teor crítico e irônico são do artista parceiro de longa data do bar, ele foi convidado para exibir sua arte no espaço pela primeira vez em 2018, e acabou ficando.

Mesmo com a flexibilização acontecendo aos poucos, muitos espaços para exibição de arte continuaram fechados. Isso fez com que o artista decidisse deixar suas obras no bar por tempo indeterminado. “Foi a forma que encontrei do público continuar vendo meus trabalhos de perto”, declarou ele. “Assim, o Mãe Joana se tornou a segunda casa das minhas obras”, conta Gabriel Grecco. Aliás, sua primeira exposição no Mãe durou três meses.  Gabriel tem como referências artísticas os cartunistas irmãos Caruso, Aroeira e Ique.

Pinturas como “Women’s Health” (2020), que faz uma dura crítica ao machismo e aos inalcançáveis padrões de beleza impostos às mulheres, e “Autorretrato”, em que se coloca em comparação com um saco de lixo, são algumas das telas expostas no Mãe Joana. Populares entre os clientes do bar, não raro elas aparecem em marcações nas redes sociais, o que Gabriel vê com bons olhos.

“Defendo a popularização da arte em geral, mas sem banalizá-la”, afirmou o artista, que antes de dedicar-se às artes plásticas, trabalhava como designer e ilustrador em agências de publicidade do Rio e São Paulo. “Acho que a arte crítica tem que ser vista, contemplada, assimilada, discutida, e proliferada. Ela pode ser uma maneira de mudar o mundo, levantando questões do nosso dia a dia que passam despercebidas”.

Por conter mensagens críticas e diretas, as obras de Gabriel já foram censuradas em uma mostra que aconteceu em Niterói, cidade onde continua a viver. O fato aconteceu em 2019, pouco tempo após o presidente Jair Bolsonaro assumir o mandato. “Já tinha até data de lançamento da exposição na galeria dos Correios , mas me ligaram avisando que meu projeto foi ‘recusado’. Justificaram dizendo que alguns quadros faziam críticas das quais não condiziam com o atual governo federal”, contou o artista, que teve sua história registrada na imprensa à época.

Isso, certamente, o ajudou a ganhar visibilidade, inclusive da Secretaria de Niterói, que convidou Gabriel para levar suas pinturas ao Solar do Jambeiro, museu niteroiense também conhecido como Palacete Bartholdy. “Lá, ocupei todas as salas com todas as minhas obras sem censura nenhuma”, lembrou ele. “Foi uma linda exposição. A mais completa que fiz até hoje”.

Para o futuro, Gabriel revelou que pensa em fazer uma nova exposição de pinturas no Mãe, misturando obras mais antigas com algumas inéditas. Telas da série “Versão Brasileira”, realizada há pouco pelo artista, são fortemente cotadas para serem exibidas no salão do bar. Ademais, ele também cogitou apresentar ao público sua nova empreitada com esculturas semi-realistas.

“Elas também têm essa pegada crítica e debochada que uso em minhas telas”, disse o niteroiense, que demonstrou estar empolgado com a nova fase pós-pandêmica. “Esse tempo todo em casa deixou minha cabeça fervilhando de ideias. Chegou a hora de colocá-las em ação”, acrescentou o artista, cujas pinturas possuem características que as aproximam das charges, bem como dos anúncios de publicidade, curso pelo qual se dedicou nos tempos de faculdade.

O Mãe Joana fica na Rua Rodrigo de Brito, 14A, em Botafogo.

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