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Cillian Murphy e a vida pós-Oppenheimer: astro irlandês estrela o filme de abertura da Berlinale

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Rosto por trás de um dos maiores fenômenos de bilheteria de 2023, recordista em indicações ao Oscar 2024, o irlandês Cillian Murphy, astro de Oppenheimer, causou uma comoção na Berlinale só gerada antes (na história recente do evento) por estrelas tipo George Clooney ou Hugh Jackman, em sua passagem pela abertura da 74ª edição do evento alemão, nesta quinta-feira. Ele protagoniza Small Things Like These, drama social sufocante com CEP na Irlanda, produzido por Matt Damon e Ben Affleck. Aliás, este é o título escolhido para abrir o Festival de Berlim e inaugurar a competição pelo Urso de Ouro, que tem a atriz queniana Lupita Nyong’o com sua presidente do júri.

Cillian Murphy

“A arte pode amenizar feridas e, no caso desta história, o que vemos é um homem cristão agir de acordo com os princípios de seu credo num mundo em que o cristianismo disfuncional”, disse Cillian Murphy, que divide com Damon e Affleck a produção da fita, derivada do livro homônimo de Claire Keegan, ambientado na Irlanda dos anis 80.

A direção do longa-metragem é assinada por Tim Mielantes, cineasta que dirigiu episódios da série “Peaky Blinders” (atualmente na Netflix). Sucesso de audiência no streaming, o seriado, certamente, ajudou a ampliar a popularidade de Cillian Murphy. Antes de encarnar o físico J. Robert Oppenheimer, personagem que pode lhe dar a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood no próximo dia 10 de março, Murphy já fazia sucesso na dobradinha com Mielants e em parcerias com outro diretor, Christopher Nolan. Foi essa Midas britânicos que o escalou para viver o Espantalho na franquia Batman (2005-2012).

“Todo o processo em que entro depende da qualidade de bons roteiros”, disse Cillian, que há dezoito anos liderou o elenco de um épico histórico laureado com a Palma de Ouro de Cannes: Ventos da Liberdade, de Ken Loach.

Graças ao carisma dele (em mais uma interpretação visceral), Small Thing Like These ganhou status de espetáculo na Berlinale, apesar de sua narrativa intimista, de temas ásperos (aborto, violência clerical, pobreza). Na trama, acompanhamos a crise existencial de Bill Furlong, chefe de um entreposto de carvão (papel de Cillian). Às vésperas do Natal de 1985, ele se dá conta de segredos de sua comunidade, envolvendo uma atitude dominadora da Igreja no trato com adolescentes grávidas, com jovens abandonadas por suas famílias. É uma alusão ao caso conhecido como As Irmãs Madalena, no qual moças com menos de 21 anos eram escondidas em conventos, por freiras, e tinha seus bebês confiscados. Emily Watson (Ondas do Destino) encarna a religiosa que entra em choque com Furlong.

“Entrei nesse trabalho com a sensação de que viveria alguns dos dias mais perfeitos da minha vida profissional, e estava certa”, disse Emma. “Cillian Murphy, certamente, não faz bem o tipo de artista engajado, articulado politicamente. Se ele aceitou levantar esse projeto, havia algo de potente nele”. Em resposta ao Rota Cult, Murphy negou a dimensão heroica do personagem que encarna em Small Things Like These. “Não enxergo heroísmo nesse sujeito, pois tenho a impressão de qu ele é um homem em crise, que não age de maneira planejada”, disse o ator. “Todas as ações dele geram reações e interpretações diferentes da plateia”.

A Berlinale segue até o dia 25 de fevereiro, sendo que o júri vai deliberar e anunciar os resultados da caça ao Urso dourado na véspera. Tem sangue jovem na lista em competição que Lupita vai avaliar. É o caso da franco senegalesa Mati Diop, da italiana Margherita Vicario e do mexicano Alonso Ruizpalacios. Tem também medalhões. Nessa frente, destacam-se os franceses Bruno Dumont e Olivier Assayas e o sul-coreano Hong Sangsoo. A própria Alemanha sai em campo com o veterano Andreas Dresen. Além disso, entre as promessas sul-americanas encaradas como potenciais competidoras, foi selecionada uma produção colombiana que assume um hipopótamo como protagonista, Pepe, de Nelson Carlos De Los Santos Arias.

No quesito astros e estrelas, Gael García Bernal, Isabelle Huppert, Don Lee e Sebastian Stan passam por lá nos próximos dez dias. Na mostra paralela Encontros, Berlim confere o longa brasileiro “Cidade; Campo”, de Juliana Rojas (de “Sinfonia da Necrópole”). A mesma seção (competitiva) oferece brasilidade na coprodução multinacional “Dormir de Olhos Abertos”, de Nele Wohlatz. Este ano, a esquadra brasileira na Berlinale inclui títulos nas seções Panorama (“Betânia”, de Marcelo Botta), Generation (“Lapso”, de Caroline Cavalcanti) e Forum Expanded (“Quebranto”, de Janaina Wagner).

Confira os concorrentes ao Urso de Ouro de 2024:
“Another End”, de Piero Messina
“Architeton”, de Viktor Kossakovsky
“Black Tea”, de Abderrahmane Sissako
“La Cocina”, de Alonso Ruizpalacios
“Dahomey”, de Mati Diop
“A Different Man”, de Aaron Schimberg
“L’Empire”, de Bruno Dumont
“Gloria!”, de Margherita Vicario
“Hors du Temps”, de Olivier Assayas
“From Hilde, With Love”, de Andreas Dresen
“My Favorite Cake”, de Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha
“Langue Étrangère”, de Claire Burger
“Who Do I Belong to”, de Meryan Joobeur
“Pepe”, de Nelson Carlos De Los Santos Arias
“Shambala”, de Min Bahadour Bham
“Small Things Like These”, de Tim Mielants
“Sterben”, de Mathias Glasner
“The Devil’s Bath”, de Veronika Franz e Severin Fiala
“Sons”, de Gustav Möller
“A Traveler’s Needs”, de Hong Sangsoo

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