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“É pau, é pedra…”: Livro dedicado à obra de Sérgio Camargo

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O cenário artístico brasileiro ganha um registro fundamental com o lançamento do livro “É pau, é pedra…”, uma alusão ao compositor Tom Jobim, dedicado à obra de Sérgio Camargo (1930-1990), um dos maiores expoentes da arte contemporânea do país e do mundo. 

A publicação acompanha a exposição homônima, que teve curadoria de Marcello Dantas, realizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, entre dezembro de 2025 e março de 2026. “Organizado com rigor estético, o volume explora como a linguagem escultórica de Camargo — marcada pela geometria e pelo uso icônico do cilindro — estabelece um diálogo profundo com o espírito modernista da capital federal e a arquitetura de Oscar Niemeyer”, relembra Aspásia Camargo, coautora do livro ao lado de Marcello Dantas. ​A obra propõe um percurso detalhado pelas diversas facetas da produção do artista, segmentado em núcleos temáticos como “Relva”, “Corpo”, “Urbe”, “Xadrez” e “Jardim Suspenso”. Dantas descreve Camargo como um “calígrafo de paus e pedras”, destacando como o artista utilizava a matéria para “fazer nascer a luz” através do corte preciso. 

O livro reafirma a posição de Camargo como um pivô da geração que consolidou a constelação criativa do Brasil moderno, unindo artes visuais, arquitetura e música e mostrando a conexão de sua obra com a arquitetura de Brasília. Um dos destaques da publicação é o ensaio “A ciência do olhar: de Leonardo da Vinci a Sérgio Camargo”, escrito por Aspásia. No texto, a socióloga traça paralelos entre o ideal renascentista de Da Vinci e a abstração geométrica de Sérgio, explorando a convicção do escultor de que a arte é, acima de tudo, uma “coisa mental”. O livro detalha a formação intelectual do artista em Paris, sob a influência de mestres como Gaston Bachelard e Pierre Francastel, que moldaram sua percepção da escultura como um sistema de pensamento e busca pelo conhecimento.  “Esta extraordinária figura merece estar no Panteon dos grandes artistas do mundo. Ele é um Pitágoras das artes plásticas”, comenta Aspásia. 

​Além dos ensaios teóricos, o livro oferece uma imersão no processo criativo do artista, incluindo uma seção dedicada ao seu “Ateliê” e uma cronologia detalhada de sua vida e obra. O conteúdo traz ainda uma entrevista histórica com Sérgio Camargo conduzida por Aspásia, revelando detalhes sobre suas influências, a transição para o uso exclusivo do mármore de Carrara a partir dos anos 1970 e sua constante investigação sobre a incidência da luz e do vazio na matéria. 

​A edição, publicada pela Barleu Edições, conta com projeto gráfico da 19 Design e versões dos textos em inglês, garantindo o alcance internacional da obra. Ao reunir fotografias de Diego Bresani, Joana França e Lincoln Iff, além de registros históricos de acervos pessoais, “É pau, é pedra…” não é apenas um catálogo de exposição, mas uma “pedagogia do olhar” que convida o público a redescobrir a precisão, a ética do corte e a inteligência da mão de um mestre da forma. O livro pretende ampliar o conhecimento do público a respeito da obra e da exposição sobre o escultor. O documentário “Se meu pai fosse de pedra” (2010), de Maria Camargo, filha de Sérgio, também consta como referência na obra.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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