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Mortal Kombat 2 reacende os bons tempos (dos anos 1990) no joystick

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Tão revolucionário quanto a jogabilidade realista do Mortal Kombat original, no fliperama, lá em 1992, foi o uso de uma trilha sonora de batida techno/industrial para embalar a chegada do game criado por Ed Boone e John Tobias aos consoles domésticos, como o Master System, no ano seguinte. A partir de 1993, ouviu-se a faixa “Techno Syndrome”, composta pela dupla belga The Immortals como tema para o jogo, não apenas nos quartos fedidos a chulé do nerds dos anos 1990 como em pistas de dança. No Rio, quem viveu a Kremlin, a Trigonometria, o Mello e afins, sentiu esse pancadão como um zeitgeist de uma era em que o videogame se empoderou. 

Aí veio 1995 e Paul W.S. Anderson levou “Mortal Kombat” para as telonas, com Christopher Lambert, o Highlander, ainda com tudo em riba, no papel de Lorden Raiden, um deus dos relâmpagos. “Techno Syndrome” estava lá, a embalar uma pancadaria que desafiava as CNTPs (que, para os que faltaram às aulas de Química, que dizer condições normais de temperatura e pressão) das narrativas de luta. Nada que Jean-Claude Van Damme ou Steven Seagel tinha feito até ali se comprava ao impacto de ver o monstro Goro, de quatro braços, moer gente no tapa. 

Aliás, a cultura que move “Mortal Kombat”, em seus derivados cinematográficos, como o reboot com um inspiradíssimo Karl Urban, certamente não é a celebração da violência como catarse. É a cultura da sobrevivência, com tudo de mais letal que o verbo “sobreviver” se habilita a carregar. O tal “Techno Syndrome” é só sinestesia para tornar um debate sobre a lei determinista que assegura “só os mais fortes sobrevivem”. O fatality reza pela mesma homilia.

No flíper, ali por 1994, o pleito Fatality! dos arcades de “Mortal Kombat” era o indício de uma revisão sanguinolenta do conceito de “golpe de misericórdia”. Tratava-se de uma deixa do jogo para que o vencedor – de um torneio entre guerreiros dotados de poderes fantásticos – desse cabo dos perdedores de maneira crudelíssima, com amputações. O monstruoso Baraka (vivido por CJ Bloomfield no novo filme de franquia), por exemplo, tinha lâminas em vez de mãos e com elas fazia de seus adversários um estrogonofe humano.  

Esse clima… e a mesma boa e velha “Techno Syndrome” (agora rearranjada na banda musical de Benjamin Wallfisch) e os coagulantes fatalities… está tudo de volta em “Mortal Kombat 2”, que se estabelece como um dos filmes mais efervescentes de 2026, em taquicardia crescente, graças ao trabalho de seu produtor: James Wan. Midas no terror, onde nos deu “Invocação do Mal” e “Jogos Mortais”, o pai da Annabelle e da Freira usa todo o seu cabedal no assombro para ampliar o tom sombrio das batalhas entre craques das artes marciais.      

Simon McQuoid, que assina a direção desta parte dois, constrói seus enquadramentos sob os auspícios de Wan, encontrando afinação plena com os meandros cinemáticos (de excelência) na pancada impostos ao cinemão pela saga “John Wick” (2014-2025). Stephen F. Windon, seu diretor de fotografia, vindo da cinessérie “Velozes e Furiosos”, é essencial para retratar o Outworld, o mundo fictício onde o quebra-pau se passa, como metonímia do Inferno. Na montagem, Stuart Levy vai na “velocidade cinco” sem dó. Engata a marcha da edição e não freia… nunca. 

Mesmo sem breque, com pontapé atrás de pontapé, decapitação atrás de decapitação, esse feroz “Mortal Kombat 2” se humaniza, ao investiga as angústias das gentes que estão ali, no ringue, num octógono sem regras, para matar ou morrer, como é o caso da princesa Kitana (a inglesa nascida em Hong Kong Adeline Rudolph). Cabe (sobretudo) a ela deter os planos do ditador Shao Kahn (Martyn Ford), o senhor do tal Submundo (Underworld), para usar um medalhão mágico a fim de expandir seus poderes e dominar a Terra. 

A fim de travá-lo, uma claque de guerreiros, liderados pela já citada divindade Lorde Raiden (agora encarnado por Tadanobu Asano), convoca um ator fracassado, Johnny Cage (o poço de carisma Karl Urban), para ajuda-los. Cage é um Van Damme falido. Bom, o Van Damme que a gente amava lá de “O Grande Dragão Branco” faliu também. O caso é que este, além de ser bom de briga, carrega um status profético de salvador do mundo que renega, até ser forçado a lutar à vera. Essa luta, contra o supracitado Baraka, é antológica.

 A presença luminosa de Urban gera sequências divertidas, num clima noventista nostálgico.

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