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Todo Mundo em Pânico 6 atualiza a sátira cinematográfica

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Há 26 anos, os irmãos Wayans lançavam Todo Mundo em Pânico (2000), filme que revolucionaria o gênero da paródia cinematográfica. Criadores, roteiristas, produtores e diretores dos dois primeiros longas da franquia, eles acabaram afastados de uma obra que ajudaram a construir, enquanto novos capítulos eram produzidos sem sua participação. Agora, mais de duas décadas depois, retornam à série com Todo Mundo em Pânico 6, trazendo de volta a marca registrada de uma das famílias mais importantes da comédia americana contemporânea. E, principalmente, da comédia negra americana. Se nos anos 1970 o cinema teve o fenômeno da Blaxploitation — tão admirado e homenageado por cineastas como Quentin Tarantino — os Wayans construíram algo semelhante dentro do humor, produzindo filmes feitos a partir de sua própria visão de mundo, mas voltados para todos os públicos.

Como acontece desde o primeiro filme, Todo Mundo em Pânico 6 utiliza a franquia Pânico (1996-2026) como principal estrutura narrativa. Quem assistiu ao mais recente capítulo da série de terror reconhecerá diversas cenas recriadas quase quadro a quadro, agora transformadas em piada. Mas limitar a franquia a uma simples paródia de Pânico seria um erro. O terror criado por Wes Craven e Kevin Williamson funciona apenas como espinha dorsal para uma enorme colagem de referências. Nesta nova edição, surgem citações e paródias de obras como Corra! (2017), A Substância (2024), Premonição (2000-2025), Wandinha (2022-2025), M3gan (2023-2025), Terrifier (2016-2024), Longlegs (2024) e A Hora do Mal (2025) e diversos outros sucessos recentes do horror, todos misturados em uma grande salada cômica conduzida pelos Wayans.

Naturalmente, ninguém deveria procurar aqui uma história elaborada ou um roteiro digno de premiações. Não é esse o objetivo do filme. A proposta sempre foi simples: construir gags, piadas e situações absurdas capazes de arrancar gargalhadas do público. O espectador entra na sala de cinema para esquecer os problemas do lado de fora e simplesmente rir. A questão é saber se o filme consegue cumprir essa missão. E a resposta, como acontece com toda comédia, depende muito de quem está assistindo. Humor é algo profundamente subjetivo. O que faz este crítico rir pode não provocar qualquer reação em outro espectador, e vice-versa.

No meu caso, Todo Mundo em Pânico 6 começa de maneira extremamente eficiente. Uma das primeiras sequências, claramente inspirada em Premonição (2000-2025), arrancou gargalhadas altas e sinceras. Durante boa parte da projeção eu me diverti bastante. O problema é que, em determinado momento, senti que o longa perde ritmo. As piadas continuam surgindo, mas com menor frequência e menor impacto. Os risos, que eram constantes no início, tornam-se mais espaçados. E, em uma obra cuja proposta principal é fazer rir, o ritmo é um elemento fundamental.

Também é importante destacar algo que acompanha a franquia desde seu nascimento: o humor politicamente incorreto. Os Wayans não fazem concessões nesse aspecto. Utilizando seu próprio lugar de fala, criam inúmeras piadas envolvendo questões raciais, algumas leves, outras bastante agressivas. Logo na abertura, por exemplo, uma personagem afirma ser negra dentro de um restaurante sofisticado e os clientes brancos começam a esconder bolsas e pertences, enquanto uma senhora chega ao ponto de engolir o próprio colar de pérolas. Trata-se de um tipo de humor que certamente não agradará a todos. Assim como aconteceu nos filmes anteriores, haverá espectadores que se incomodarão profundamente com essas escolhas. E isso precisa ser dito antes da compra do ingresso.

No saldo final, Todo Mundo em Pânico 6 entrega aproximadamente duas horas de diversão descompromissada e muitas risadas. Se não faz sentido cobrar profundidade dramática ou sofisticação narrativa, vale destacar as atuações. Marlon e Shawn Wayans continuam demonstrando um talento cômico raro, criando momentos que funcionariam perfeitamente em um palco de stand-up ou em uma peça teatral. Regina Hall e Anna Faris retornam em participações que ajudam a despertar a nostalgia dos fãs, enquanto uma das melhores piadas do filme surge quando os próprios Wayans fazem referência aos capítulos produzidos sem sua participação, deixando escapar uma divertida ponta de ressentimento. Para quem está precisando rir neste feriado de Corpus Christi, a recomendação é clara: vá ao cinema. Apenas saiba exatamente o tipo de humor que encontrará pela frente. 

Desligue o celular e excelente diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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