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OSB apresenta concerto dedicado à música brasileira para metais na Sala Cecília Meireles

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a Orquestra Sinfônica Brasileira apresenta a Série Músicos da OSB na Sala Cecília Meireles. Com foco na família dos Metais e sob a batuta do maestro Will Sanders, o repertório conta com obras de Gilson Santos, Osvaldo Lacerda, Fernando Morais, Hudson Nogueira, Duda e José Ursicino da Silva, Tasso Bangel, Jessé Sadoc, João da Banda e Fernando Deddos.

Nada mais apropriado para começar do que uma fanfarra. A de Gilson Santos, batizada de Sul-Americana, foi escrita como exercício em estilo tradicionalíssimo dos grupos de metais e das bandas de concerto, e hoje é tocada mundo afora. Segue-se uma das obras seminais do repertório brasileiro para metais: Dobrado, Ponto e Maracatu, de Osvaldo Lacerda, cujos três movimentos percorrem a banda militar, o canto ritual afro-brasileiro e o cortejo pernambucano sem abrir mão da fisionomia popular de cada gênero. A Elegia, de Fernando Morais, vem na sequência como ponto de contraste. Única obra do compositor escrita pela perda de alguém querido, surgiu em versão para trompete e cordas, é hoje o segundo movimento de seu concertino para trompete e ganhou, na pandemia, esta roupagem para metais, em que o naipe se apresenta em seu registro mais grave e sustentado. Vêm então as Três Danças Carnavalescas nº 2, de Hudson Nogueira, em que cada dança impõe uma exigência distinta: o maracatu é desafio rítmico, a marcha-rancho pede lirismo melódico, o frevo, que traz um fugato de escrita trabalhosa, é desafio técnico. Duda, o compositor da Música para Metais nº 2, é na verdade José Ursicino da Silva, ou Mestre Duda, um dos maiores nomes do frevo. A composição percorre maracatu, seresta e forró antes de terminar, como todas as suas Músicas para Metais, em frevo.

Gauchíssima, de Tasso Bangel, muda o sotaque do programa. Falecido em maio deste ano, o compositor foi um dos mais importantes músicos do Rio Grande do Sul, e a peça é um de seus tributos à terra natal. Do Sul, o programa avança para o Sudeste: Jessé Sadoc voltava do bairro carioca de Acari quando se viu preso em um engarrafamento na Avenida Brasil. Ainda em estado de êxtase com o bairro, viu as melodias surgirem na sua cabeça durante o trânsito, temas que mais tarde ele transformaria na encantadora Voltando de Acari, que integra este concerto em versão para metais e percussão. O Zouk que se segue talvez tenha a origem mais improvável do programa: durante o lockdown, Gilson Santos assistiu a uma reportagem sobre um grupo de senhoras que tomavam aulas de dança on-line e falavam da alegria que aquilo lhes devolvera. Nasceu daí o trocadilho Às Quarentonas de Quarentena, hoje subtítulo da obra. A peça, construída a partir da clave do zouk, tem a percussão desmembrada e distribuída entre os metais até formar o que o compositor chama de uma máquina sonora, sobre a qual só então veio a melodia. O fim é vigoroso e traz ao palco mais dois gêneros: de João da Banda será ouvido o frevo de rua Mavi Frevando, e Choro pro Falcone, de Fernando Deddos, dá a nota final, propondo um encontro festivo entre choro e maxixe.


Serviço: Dia 22 de agosto (sábado), às 17h  / Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 –  Lapa)

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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