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“A Cor do Samba”, individual do artista Bernardo Magina, no Espaço Cultural Sérgio Porto

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O Espaço Cultural Sérgio Porto apresenta a exposição “A Cor do Samba”, individual do artista Bernardo Magina. A exposição inaugura as atividades do projeto Ocupação Curador Negro, de cultura e arte/raça e território, na instituição.

Com curadoria de Osmar Paulino-curador negro e assistência de Jack Calazans, a mostra reúne cerca de dez pinturas, intervenções em pandeiros e outros trabalhos desenvolvidos a partir de arquivos e pesquisas do artista sobre as dimensões políticas, sociais, históricas e afetivas do samba.

Bernardo Magina cria uma espécie de analogia cromática, aproximando o repertório popular de questões caras à história da arte e estabelecendo diálogos com períodos e movimentos, como neoconcretismo.  Para algumas obras, o artista desenvolveu um alfabeto de cores: sílabas dos refrões foram transformadas em códigos cromáticos e estruturas visuais. Nem todas as pinturas, no entanto, apresentam essas letras de forma explícita: em muitas delas, a investigação se concentra sobretudo na cadência rítmica.

Um dos núcleos da exposição é dedicado à circularidade, conceito fundamental para pensar as culturas de matriz africana e os encontros nos primórdios do samba que seguem até os dias de hoje. Os pandeiros, utilizados como suporte para pinturas, evocam essa ideia: são dez instrumentos que recebem imagens e rostos de personagens ligados à história do ritmo, especialmente mulheres cujas trajetórias foram apagadas, esquecidas ou permaneceram pouco documentadas. É nesse ponto que “A Cor do Samba” incorpora o conceito de fabulação crítica. Diante das lacunas historiográficas e da ausência de referências precisas sobre algumas dessas personagens, Bernardo Magina assume as dúvidas e os silêncios da história como parte da obra, imaginando possíveis rostos e presenças para mulheres que participaram da construção do samba, mas que nem sempre foram reconhecidas pelos registros oficiais.

Além disso, a exposição também recupera a história do Rio de Janeiro a partir dos anos 1920, período em que a cidade buscava construir uma imagem inspirada na Paris da Belle Époque, ao mesmo tempo em que o samba se consolidava como uma das mais potentes invenções culturais do país. A exposição revisita esse contraste e desloca o olhar para o protagonismo da população negra no período pós-abolição, compreendendo o samba como uma invenção da inteligência negra e como um movimento cultural que apontava para diferentes possibilidades de projeto de Brasil.

Essa história também atravessa personagens fundamentais, como Tia Ciata, e as complexas disputas em torno da autoria e do reconhecimento do primeiro samba gravado. Ao recuperar essas tensões, a exposição chama atenção para o apagamento histórico de mulheres compositoras e para a necessidade de observar o samba por outras perspectivas.

A relação afetiva também ocupa um lugar relevante na criação. Fotografias da família do artista, especialmente imagens de festas e encontros, integram o núcleo mais íntimo da individual, ao lado de desenhos e rascunhos utilizados durante o processo de criação.

A pesquisa alcança ainda manifestações posteriores da cultura do samba, incluindo referências à produção dos anos 1970 e à importância de espaços como o Cacique de Ramos.

Serviço: Visitação: de 12 de setembro a 24 de outubro de 2026
A Cor do Samba, exposição individual de Bernardo Magina.
Curadoria: Osmar Paulino com assistência de Jack Calazans
Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163 – Humaitá

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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