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 “Víboras – A Arte do Insulto”, nova comédia escrita e dirigida por Flávio Marinho, estreia no Teatro Vannucci

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Uma mesa de bar, três amigos de longa data, um casamento às vésperas de completar quatro décadas e a chegada de um jovem personal trainer que desorganiza certezas, desejos e aparências, esse é o ponto de partida de “Víboras – A Arte do Insulto”, nova comédia escrita e dirigida por Flávio Marinho, que estreia no Teatro Vannucci. A montagem, com Alice Borges, Aloísio de Abreu, Marcos Breda e Guilherme Dellorto no elenco, celebra os 40 anos de carreira de Marinho como autor e diretor teatral.

A história se passa no “Desgarrada”, um bar português comandado por Mirna (Alice Borges), ponto de encontro de seus melhores amigos, Sílvio (Marcos Breda) e Luiz (Aloísio de Abreu). Casados há quase 40 anos e também sócios de uma livraria especializada em livros, CDs e DVDs difíceis de encontrar, os dois construíram uma relação em que amor, amizade e implicância se confundem. Luiz é um ex-ator de sucesso mediano; Sílvio, um contador bem-sucedido. Avessos a exercícios físicos, os dois são, em compensação, atletas da esgrima verbal: trocam provocações e insultos com uma intimidade que revela, por trás das farpas, um vínculo afetivo sólido.

Mirna, portuguesa, está na mesma faixa etária dos amigos e nunca teve um relacionamento duradouro. Dona de uma autoestima inabalável, conduz o bar, canta fados e encara a vida amorosa sem se deixar enquadrar por padrões de idade, corpo ou beleza. Cansada da rotina do “Desgarrada”, decide contratar alguém para ajudá-la no trabalho. É assim que Jorge (Guilherme Dellorto) entra em cena.

Personal trainer de formação, Jorge é jovem, musculoso e chega ao bar procurando um trabalho extra para reforçar o orçamento. Sua presença imediatamente desperta o interesse de Mirna, Sílvio e Luiz, que interpretam o rapaz a partir de suas próprias expectativas. Mas Jorge é heterossexual, está apaixonado por Olívia e pretende se casar. Seu grande plano para melhorar de vida é entrar na próxima edição do “BBB” — e ele acredita que os novos amigos podem ajudá-lo nessa missão.

A chegada do personal expõe o jogo de aparências que sustenta a comédia. Enquanto Mirna alimenta esperanças e o casal tenta protegê-la de uma nova desilusão, Jorge lida com as investidas do trio com naturalidade e acaba se aproximando dos três. Entre ciúmes, desejos, mal-entendidos, números musicais e flechas verbais, os personagens revelam que a convivência pode ser tão afiada quanto afetuosa.

Estruturada em torno dos quatro personagens, “Víboras” usa o humor para falar de etarismo, desejo e sexualidade na maturidade, relações LGBT+, amizade e do direito de continuar amando, sonhando e ocupando espaço depois dos 60. A peça aposta no humor autodepreciativo e no choque entre gerações sem transformar seus personagens maduros em figuras secundárias: são eles que conduzem a ação, com suas contradições, vitalidade e capacidade de rir de si mesmos.

A música também atravessa a montagem. Mirna encontra no fado uma extensão de sua personalidade, enquanto Luiz guarda a memória afetiva dos antigos Festivais da Canção. A direção musical é de Liliane Secco, com preparação vocal de Felipe Abreu. A direção de arte, cenário e figurinos são assinados por Ronald Teixeira, e a iluminação é de Paulo César Medeiros. Mabel Tude responde pela direção-assistente e direção de movimento. Aliás, Miguel Falabella participa com voz em off.

Além disso, a estreia também marca os 40 anos de carreira de Flávio Marinho como autor e diretor teatral. Antes de se dedicar à dramaturgia, Marinho atuou durante 14 anos como crítico teatral e repórter especializado em veículos como “Tribuna da Imprensa”, “Última Hora” e “O Globo”. No teatro, assina uma extensa produção como autor, diretor, tradutor e adaptador, com títulos como “Abalou Bangu”, “Além do Arco-Íris”, “Judy: O Arco-Íris É Aqui”, “Não Me Entrego Não!” e “2 ou 3 Coisas Que Eu Sei Delas”, além de versões brasileiras de montagens como “Priscilla, a Rainha do Deserto” e “Noviças Rebeldes”.

Sua trajetória também passa pela televisão, em trabalhos como “Malu Mulher”, “Escolinha do Professor Raimundo”, “Sai de Baixo”, “Pé na Cova”, “Brasil a Bordo”, “Viver do Riso” e “Além da Ilusão”. Em 2025, recebeu o Prêmio APTR de melhor autor por “Não Me Entrego Não!”, espetáculo pelo qual também foi indicado como diretor e premiado como produtor. Sócio-fundador da APTR, Marinho dirigiu ainda, entre 1996 e 2001, a Casa de Cultura Laura Alvim. Em “Víboras”, retoma a comédia de costumes para observar, pelo riso, os afetos e conflitos de personagens que se recusam à invisibilidade.

SERVIÇO Temporada: 02/09/2026 a 07/02/2027 / Horário: Sexta e Sábado, às 19h | Domingo, às 18h Local: Teatro Vannucci – Shopping da Gávea, 3º piso Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52/loja 371 – Gávea Ingressos: https://bileto.sympla.com.br Classificação etária: 14 anos 

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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