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Carlos Malta, Jean-Luc Thomas e Bernardo Aguiar se reencontram em show que atravessa o Atlântico entre Brasil e Bretanha

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Carlos Malta, Jean-Luc Thomas e Bernardo Aguiar atravessam o Atlântico em show único na Acaso Cultural, em Botafogo.

Doze anos depois do primeiro encontro, músicos voltam a se reunir no Rio em um diálogo entre Brasil e Bretanha que aproxima frevo, baião e gavota, com flautas, pífanos, pandeiros, improvisação e elementos eletrônicos.

Ex-integrante do grupo de Hermeto Pascoal e criador do Pife Muderno, que completa 30 anos, Malta divide o palco com um dos nomes da música tradicional bretã e com o percussionista brasileiro que já levou o pandeiro à Carnegie Hall

O que pode existir em comum entre um pífano brasileiro, uma flauta da Bretanha e um pandeiro? E o que acontece quando frevos e baiões encontram a gavota bretã e músicos de tradições tão distintas decidem não apenas colocar seus repertórios lado a lado, mas criar uma música nova a partir desse encontro?

O projeto aproxima dois territórios separados pelo Atlântico, mas unidos por tradições musicais profundamente ligadas à cultura popular, à dança, à oralidade e à transmissão entre gerações. De um lado, pífanos, frevos, baiões e a percussão brasileira. Do outro, as flautas e danças tradicionais da Bretanha, região do noroeste da França que preserva uma identidade cultural e musical própria.

Mas “Sopro da Terra” não pretende fazer uma demonstração folclórica dessas tradições. Elas funcionam como matéria-prima para improvisação e criação. Flautas, pífanos e pandeiros se encontram com elementos eletrônicos e fazem com que ritmos aparentemente distantes revelem afinidades — ou provoquem justamente pelo contraste. É também o reencontro de três músicos que fizeram da curiosidade pelo outro uma parte essencial de suas trajetórias.

Conhecido como “Escultor do Vento”, Carlos Malta tornou-se uma das figuras centrais da música instrumental brasileira explorando justamente as possibilidades sonoras dos instrumentos de sopro. Saxofones, flautas e pífanos atravessam uma carreira de mais de quatro décadas na qual tradição popular, improvisação e experimentação nunca estiveram separadas.

Em “Sopro da Terra”, portanto, a relação Brasil–Bretanha não se resume a uma soma de repertórios. A proposta é descobrir o que uma tradição pode revelar à outra quando seus músicos se permitem improvisar juntos. É aí que entram, lado a lado, o frevo, o baião e a gavota — dança tradicional profundamente ligada à cultura bretã. Em vez de apagar as diferenças entre essas linguagens, o trio trabalha a partir delas.

Entre os dois universos está Bernardo Aguiar, músico de uma geração que ajudou a ampliar o lugar da percussão brasileira dentro da música instrumental contemporânea. Sua relação com o carnaval carioca começou ainda criança e, aos 13 anos, Bernardo já era solista da orquestra de pandeiros Pandemonium. Integrante do Pife Muderno e fundador do Pandeiro Repique Duo, transformou o pandeiro em instrumento capaz de ocupar os mais diferentes contextos musicais.

Com ele, a percussão brasileira chegou a palcos como o Carnegie Hall, em Nova York, e o Forbidden City Concert Hall, em Pequim. Bernardo colaborou com músicos como Yamandú Costa, Hamilton de Holanda e Jacob Collier e participou de Family Dinner 2, do grupo norte-americano Snarky Puppy. Sua pesquisa também se estende à formação de novos músicos. Bernardo atua como educador em instituições como a Juilliard School, em Nova York, e a Berklee Valencia, na Espanha.

Em “Sopro da Terra”, seu pandeiro não funciona apenas como acompanhamento rítmico. É uma terceira voz dentro do trio, capaz de dialogar tanto com os pífanos e flautas de Malta quanto com o universo sonoro trazido por Thomas.

A apresentação no Rio carrega ainda uma história particular: não é a primeira vez que os três músicos se encontram. Carlos Malta, Jean-Luc Thomas e Bernardo Aguiar voltam a se reunir 12 anos depois de seu primeiro encontro e de uma turnê pelo Brasil. O espetáculo retoma, portanto, uma conversa musical interrompida pelo tempo — mas também permite perceber o que mudou na trajetória de cada um durante esse intervalo.

Se há algo que une os três, talvez seja justamente a maneira como entendem tradição: não como algo a ser preservado em uma redoma, mas como uma linguagem que permanece viva porque continua sendo tocada, transformada e colocada em contato com outras culturas.

Em “Sopro da Terra”, o Atlântico deixa de funcionar como fronteira. O sopro atravessa de um lado para o outro; os ritmos se reconhecem, se estranham e se transformam.  E, entre uma gavota, um baião e um frevo, Brasil e Bretanha encontram uma língua comum que não precisa de tradução.

SERVIÇO Data: 17 de outubro
Horário: 20h
Local: Acaso Cultural
Endereço: Rua Vicente de Sousa, 16 — Botafogo
Ingressos: Sympla — Sopro da Terra

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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