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Mostra Petrobras de Cinema Brasileiro no MAM

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Desde sua primeira edição, a Mostra Petrobras de Cinema Brasileiro busca reafirmar uma concepção ampla do patrimônio cinematográfico e audiovisual olhando para diferentes épocas, territórios, suportes, formatos, durações e sistemas de produção, preservação e circulação das imagens. Aliás, a mostra se inscreve também nas celebrações do Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, comemorado internacionalmente no dia 27 de outubro desde sua instituição pela UNESCO em 2005.

Neste ano, a mostra volta seu olhar para a matéria das imagens e suas existências no tempo. Películas preservadas, cópias produzidas para exibição contemporânea, filmes digitalizados e obras restauradas compõem uma programação que propõe pensar preservação e difusão como duas faces de um mesmo processo. A construção de uma memória cinematográfica é possível graças à preservação de seus diferentes suportes, mas também por sua atualização nos encontros com novos públicos.

A programação tem início com a exibição de Os irmãos Segreto, coprodução Brasil-Itália dirigida por Michele Manzolini e Federico Ferrone. A obra revisita, de forma poética, os primeiros momentos da atividade cinematográfica no Brasil a partir da trajetória dos pioneiros do cinema no Brasil: Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto. Em seguida, será exibido um dos maiores sucessos de público da história do cinema brasileiro, que em 2026 completa 80 anos de sua realização: O ébrio, de Gilda Abreu. O filme será apresentado em versão recentemente restaurada pela Cinédia e terá a parceria com o coletivo Quase Catálogo Cineclube, dedicado à distribuição e ao debate de filmes dirigidos por mulheres. 

Em outro movimento, apresentaremos em 35mm o premiado O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho. A exibição em suporte fotoquímico aproxima uma produção contemporânea de questões centrais à mostra, ao recolocar a película no presente e propor uma reflexão sobre sua preservação, permanência e circulação.

A mostra marca também os 90 anos de nascimento e 10 anos de falecimento do diretor de fotografia Dib Lutfi, figura incontornável do cinema brasileiro moderno. Será exibida uma versão digital produzida pela Central Técnica da Cinemateca do MAM do filme A lira do delírio, de Walter Lima Jr. A homenagem se completa com uma mesa redonda e complementada com conversa com a participação do pesquisador Michel Schettert e da designer Marina Lutfi, sobrinha de Dib.

O cinema amador ocupa um espaço de destaque nesta edição. Filmes criados para o Festival de Cinema Amador JB-Mesbla, realizado no Rio de Janeiro em meados da década de 1960 e início dos anos de 1970, retornam à tela após processos de digitalização realizados pela Cinemateca. Produzidos em pequenos formatos e fora dos circuitos profissionais estabelecidos, esses trabalhos testemunham práticas de experimentação, formação e sociabilidade que desempenharam papel importante na renovação do cinema brasileiro moderno. 

O Festival de Cinema Amador JB-Mesbla exibiu os primeiros curtas metragens de cineastas que marcaram a história do cinema brasileiro, tais como Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci, Neville D’Almeida. Serão apresentados uma seleção de filmes do acervo da Cinemateca do MAM digitalizados especialmente para a mostra. A sessão será  acompanhada de uma conversa sobre os processos de digitalização dos materiais, e será precedida de um um minicurso sobre o cinema amador no Brasil e a história do Festival de Cinema Amador JB/Mesbla ministrado pela pesquisadora e professora da Universidade do Distrito federal, Lila Foster.

Por im, encerrando a programação, apresentaremos em 35mm o monumental A idade da terra, último filme de Glauber Rocha. Fragmentário e alegórico, o filme articula política, religião e história em uma reflexão sobre o Brasil e o chamado Terceiro Mundo. A projeção em película reforça uma questão central da mostra: a preservação não diz respeito apenas às imagens e aos sons, mas também aos suportes e modos de exibição que constituem a experiência histórica e estética de uma obra.

SERVIÇO: programação: https://mam.rio/materias-da-memoria/
Ingressos: 
https://www.mam.rio/ingressos
Entrada gratuita para todos os públicos

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
End: Av. Infante Dom Henrique, 85
amAterro do Flamengo

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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