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I WANT YOUR SEX traz abordagem provocadora ao falar sobre relações de poder 

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É impressionante que Olivia Wilde tenha estrelado dois filmes, no mesmo ano, que falem abertamente sobre sexualidade e os desdobramentos adultos para questões pertinentes à sociedade hoje. Que ambos sejam produções estadunidenses e um deles dirigido por ela, mostra que ela é mesma uma das grandes personalidades de 2026. Mas enquanto O Convite tem voz de consenso entre as pautas que prega, I Want Your Sex é dirigido por Gregg Araki, e por aí o espectador já pode esperar que tipo de conteúdo está impresso no filme. Depois de mais de 10 anos sem lançar uma produção nova, o diretor de Mistérios da Carne mostra que, se suas intenções estão menos agudas, mas ainda assim sua visão é demasiado modernista para os ainda bastante conservadores tempos atuais. 

Elliott é um jovem desempregado que arruma um espaço para trabalhar na galeria de uma artista de vanguarda, conhecida por uma postura sexualmente polêmica e aberta. I Want Your Sex acompanha dois tempos narrativos: a descrição cheia de cores dos eventos que levaram Elliott a prestar depoimento em uma delegacia bastante acinzentada. Uma passagem tem bem mais espaço que a outra, e por vezes essa investigação some da cabeça do espectador. O que interessa mesmo no roteiro e na realização é a maneira direta com que o filme fala sobre sexo, com a frontalidade que esperamos de um cineasta como ele; ainda que já tenhamos tido passagens bem mais intensas de Araki, seu novo filme toca nos pontos certos. 

A hipocrisia e o conservadorismo social produziu cidadãos cuja relação com o sexo foi tão sacralizada, que muitas das estripulias feitas surgem de maneira escondida ao que socialmente é aceito. E o que exatamente mede o bom gosto e as formas diversas com a qual devemos lidar, que limitam nossas sensações de prazer e nosso interesse em estarmos plenos para não sermos frustrados? I Want Your Sex mostra, em uma cena especial envolvendo Elliott, a artista plástica Erika Tracy e a melhor amiga do protagonista que se torna um jogo de erros em cascata. Tudo por conta de maus entendidos relacionados a não-extrapolação do que são as verdades de cada um. 

No contorno visual, I Want Your Sex é uma visão histérica do que seria um filme de Gregg Araki dirigido nos dias de hoje, e isso é uma das boas sacadas estéticas do filme, que não precisa se explicar. Estão em cena um apanhado de situações gráficas que vão elevando o tom do título, mas que ainda assim não precisa ser temido por uma audiência desconfortável. Como já dito, o filme não tenta elevar o jogo que ele mesmo propõe visualmente, porque sua crítica direta é feita de forma verbal. São nos diálogos que o filme mais se exibe, mostrando que não existem jogos sexuais suficientes quando não conseguimos resolver nossas próprias fontes de neurose. Existe esse posicionamento do filme em tirar de blindagem essa turba que grita nas ruas, para mostrar um modelo onde possamos desejar, só isso. 

Protagonizando o filme, Wilde e o cada vez melhor Cooper Hoffman (de Licorice Pizza) mostram todas as camadas que precisam para definir a química entre seus personagens – incluindo pregar contra essa mesma química. Afinal, a essência de Elliott é contrastante com o que Erika tem para oferecer, e rasgadamente oferece. Nesse campo, eles acabam sendo contrapontos um do outro que se enroscam em proposições artísticas muito bem pensadas. Temos a mulher avançada em seus desejos e o jovem filho de 2026, que nem entende o sexo como algo a ser buscado ou percebido. O resultado é uma explosão de possibilidades, quando uma pessoa de lábia muito boa convence de muitos algos um tipo tímido; o resultado são os entraves vistos, disfarçados de nova liberação – que cairá, a qualquer momento. 

Tudo isso é uma maneira de mostrar como retrocedemos enquanto liberdade social, para um grupo de pessoas que sabem se relacionar com outro, sem qualquer empatia. Em um momento cheio de riscos como o que estamos vivendo essa semana no país, I Want Your Sex é um bálsamo de perseverança. Porque o filme mostra que existem os fachos de mudança, que vazam pelas pessoas e precisam ser tratados como uma bem-vinda nova ordem mundial, e que de nova exatamente não tem nada. Mas com tantos passos pra trás, é bom colocar na pauta do dia que o desejo precisa sim ser acessado sempre e novamente. Quase de maneira ininterrupta. 

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