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“O Último Dia da Minha Vida” no Teatro Café Pequeno

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“Quem não luta pela memória, morre duas vezes”, É essa afirmação que atravessa O Último Dia da Minha Vida, espetáculo solo escrito, dirigido e interpretado por Ton de Melo, que chega ao Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, para uma curta temporada em novembro.

E se, diante da possibilidade de perder tudo, a única coisa que nos restasse fosse a memória? Em uma encenação intimista, o monólogo convida o público a atravessar as lembranças de Ângelo, um homem que, em uma noite decisiva, abre seu baú e se depara com fragmentos de uma vida que ainda insiste em existir dentro dele.

“Esse monólogo não é apenas uma peça. É um encontro. Entre mim e as tantas versões que já fui. Entre quem assiste e as perguntas que evitamos ouvir. É uma despedida, mas não no sentido literal. É um último dia que se estende, se repete e insiste, como se quisesse me lembrar de algo essencial: o que fica quando tudo o resto se vai?”, conta Ton de Melo.

Fotografias, cartas e objetos guardam histórias que o tempo não conseguiu apagar. Entre afetos interrompidos, silêncios familiares, ausências e descobertas, Ângelo revisita os caminhos que o trouxeram até ali. O que começa como um encontro com o passado se transforma em uma investigação sobre identidade, família, luto e pertencimento. Afinal, quanto de nós existe nas histórias que contamos? E quanto permanece escondido naquilo que nunca tivemos coragem de dizer?

Longe de tratar a memória apenas como saudade, o espetáculo a coloca em cena como gesto de resistência. Recordar é também reivindicar uma história, reconhecer as próprias raízes e impedir que determinadas existências desapareçam duas vezes. Entre o humor, a delicadeza e a emoção, O Último Dia da Minha Vida aproxima palco e plateia, convidando cada espectador a reconhecer algo de si na trajetória de Ângelo.

É um espetáculo sobre o que perdemos, o que escondemos e aquilo que continua vivo em nós, mesmo quando acreditamos ter deixado tudo para trás.

Ator, dramaturgo, escritor e produtor teatral, Ton de Melo constrói sua trajetória a partir de uma pesquisa artística que aproxima memória, identidade e experiência humana. Nascido em Pernambuco, criado na Paraíba e radicado no Rio de Janeiro desde a infância, desenvolve um teatro autoral interessado nas contradições dos afetos, nas histórias familiares e nas marcas que carregamos ao longo da vida. Autor de De Mãe Pra Filho e Cova Rasa, Ton reúne em O Último Dia da Minha Vida dramaturgia, direção e atuação, partindo de uma investigação íntima para criar uma obra que não pretende oferecer respostas prontas, mas abrir espaço para que cada pessoa encontre suas próprias perguntas.

Em cena, cada detalhe guarda um fragmento daquilo que o tempo quase apagou. Paulo Denizot desenha, com a luz, as fronteiras entre presença e ausência; Felipe Katemani traduz identidade e ancestralidade no visagismo; e Bohêmia transforma o figurino em um arquivo afetivo, onde tecidos desgastados e remendos parecem guardar lembranças de uma vida inteira. A trilha sonora inédita de Maxwell Morales desperta aquilo que permanece escondido, enquanto Dani Gomes, Gabriel Espindola e Lorrayne Calazans registram gestos, expressões e silêncios que desaparecem quando as luzes se apagam. Em Minas Gerais, Lorrayne também produziu vídeos que prolongam a memória desses encontros.

A programação visual da UMMA e a produção audiovisual de Peterson Pessoa e Lorrayne Calazans ajudam essa história a ultrapassar o palco. Mas há quem sustente essa memória longe dos olhos do público: Michael de Melo e Gabriel Espindola são meus braços direitos nessa caminhada. Enquanto estou em cena, entregando meu corpo e minha voz a Ângelo, são eles que me ajudam a manter tudo de pé. Existe uma beleza imensa em saber que não caminho sozinho, que há pessoas cuidando de um sonho que também se constrói com elas. Minha gratidão por essa parceria vai muito além de qualquer crédito.

Na produção e direção artística, reúno essas sensibilidades para transformar em teatro aquilo que tantas vezes tememos perder: os vestígios de quem fomos, os afetos que nos constituíram e as pessoas que caminharam conosco. O Último Dia da Minha Vida é uma criação autoral, mas nunca solitária. Porque, no fim, talvez a memória seja justamente isso: a maneira que encontramos de continuar juntos, mesmo quando o tempo insiste em nos separar.

Serviço: Datas: 17, 18, 24 e 25 de novembro / Local: Teatro Municipal Café Pequeno Endereço: Avenida Ataulfo de Paiva, 269, Leblon / Classificação indicativa: A14 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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