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Sobrenatural: A Porta Vermelha – Patrick Wilson estreia na direção

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O terror enquanto gênero cinematográfico pode alcançar um amálgama com muitos outros gêneros, e é dessa versatilidade que conseguem se destacar os grandes filmes que ficaram para a História. Quando uma história assustadora como as da tradição acaba por encontrar também os dramas de seus personagens, e através deles ampliar o leque de compreensão de muitas discussões, percebemos que uma voz dissonante se encaminha para sua confecção. O produtor Jason Blum, responsável por uma das mais bem sucedidas produtoras do gênero na atualidade, a Blumhouse, enxerga esse potencial no que está contando. Foi assim que nasceu a franquia Sobrenatural, que chega ao seu quinto episódio com fôlego ininterrupto.

É fácil compreender porque o público se afeiçoou ao que foi construído por James Wan em sua base aqui. Ao lado do ator e roteirista Leigh Whannel, que junto com ele nos apresentou o Jigsaw de Jogos Mortais, Sobrenatural é, acima de tudo, uma história de união familiar, e o afeto que salvará aquele núcleo. Os Lambert, que são assombrados há gerações, são a mola que move nosso olhar e nosso apreço pelo que é contado há 4 exemplares. Esse novo, Sobrenatural: A Porta Vermelha, foi muito bem vendido como sendo o reencontro do espectador com a família central da série, que tinha sido escanteada nos dois episódios anteriores. A conexão é imediata já a partir da primeira cena, e o filme não precisa nos apresentar muito mais.

Sobrenatural: A Porta VermelhaPorém deveria, já que de afeto gratuito nenhuma produção sobrevive. O que vemos em Sobrenatural: A Porta Vermelha é que essa ligação que se criou entre público e personagens é utilizada para conceber uma moral da história para toda a saga, que agora tem uma amarração moral e emocional, e isso por si só já eleva o material. Mas o miolo do título não é convincente o tempo inteiro, com sequências melhores que as outras, e um certo cansaço a respeito de algo que já foi feito em demasia nos episódios anteriores, e que parece ser o único refrão dos roteiros – pai e filho se embrenham pelo Além, e um precisa salvar o outro. Essa é mais uma vez a motivação por aqui, e ficamos incrédulos ao perceber que estamos há 13 anos girando em torno de uma premissa única.

Parte das novidades é a estreia na direção do protagonista da franquia, Patrick Wilson, que de tão antenado com Wan, Whannel e o gênero, acabou tendo a chance de mostrar aqui se teve atenção suficiente para reproduzir aqui o que acompanha há mais de uma década. O resultado impressiona mais pela condução dramática. Nos primeiros 20 minutos de Sobrenatural: A Porta Vermelha não só representa o reencontro com aquele grupo de pessoas, mas com os dramas que sempre existiram entre eles e os que também afloraram desde que os vimos pela última vez. O talento de Wilson, e a maturidade do jovem Ty Simpkins fazem a diferença na hora de espelhar no horror as muitas ausências entre pais e filhos.

O processo criado entre eles é tão humano e crível, que sentimos falta exatamente dessa condução quando o filme precisa se calibrar dentro do gênero, e ainda temos novas batidas em uma tecla que já conhecemos. Não que algo pareça moroso, mas como dito, não há muitas novas curvas na dinâmica – nem a garantia de que, ao final, eles estarão abraçando, enfim, uma salvação. Ou seja, caso o sucesso aqui continue, tudo que está estabelecido aqui, pode mais uma vez descer pelo ralo, e teremos que reencontrar pai e filho de novo perdidos no cenário recorrente. Verdadeiramente eu preferia acompanhar seus acertos de contas reais, e a óbvia moral da história onde fica claro que um problema esquecido não é um problema resolvido; tudo que não é esclarecido, um dia volta para incomodar.

Outra adição que merece atenção é a chegada de Sinclair Daniel ao elenco. No papel de uma companheira de faculdade do jovem Dalton, a menina esbanja talento, carisma, espontaneidade e presença cênica. Seus momentos se encontram entre os melhores de Sobrenatural: A Porta Vermelha ao representar uma novidade viva na franquia. O ponto contra é o que o filme faz com todo o resto da família, que vira literalmente um apêndice na produção, deixando claro que só dois personagens ali têm coisas a resolver, enquanto os outros, sem qualquer chance de mostrar suas motivações ou frustrações. Inclua aí inclusive Rose Byrne, que parecia estar muito ocupada com outros afazeres e só passa rapidinho para dar um ‘olá’ para os amigos.

É muito pouco para um título que se consagrou como uma saga familiar, e que mesmo apartada, merecia ser vista e ouvida. Ainda que não estejamos no melhor dos roteiros aqui, Sobrenatural: A Porta Vermelha é muito bem sucedido em como pintar as relações arranhadas entre dois homens feridos por uma separação cheia de mágoas. É a estrutura defendida por Wilson e Simpkins que sustenta a produção, e pode até emocionar o espectador mais sensível, muito mais do que os (bons) ‘jump scares’ desenvolvidos ao longo da duração.

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