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O Rei da Internet traz estética Pop, dinâmica e ágil

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De vez em quando, nós, críticos de cinema, somos surpreendidos por filmes que não imaginávamos assistir. Isso aconteceu comigo no ano retrasado, com Bandida: A Número 1 (2024), de João Wainer, sobre uma criminosa real nos morros do Rio de Janeiro. Agora, sob a direção de Fabrício Bittar, acabei de assistir ao longa-metragem O Rei da Internet, outra história real, um autêntico true crime sobre Daniel Nascimento, o maior hacker do Brasil no início do século XXI.

O Rei da Internet narra a ascensão de Daniel, que, com apenas 16 anos, tornou-se um fenômeno, ganhando mais de um milhão de reais mensais, em uma vida que pais como o dele jamais poderiam proporcionar. Interpretado por João Guilherme Ávila, o personagem explora os primórdios da internet no Brasil, uma ferramenta que o fez superar a timidez, o bullying escolar e a total falta de jeito com as meninas, para se tornar, assim, um protagonista no mundo digital, onde se considerava imbatível.

Fabrício Bittar, oriundo da MTV Brasil, onde dirigiu programas como, por exemplo, Verão MTV, utiliza muito de sua experiência pregressa em O Rei da Internet. A estética Pop, dinâmica e ágil é a marca do diretor, que aqui vive o seu melhor momento, entregando uma obra à altura do surpreendente Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro(2018). A influência visual e narrativa típica de videoclipes permeia cada cena e cada frame, conferindo um ritmo de blockbuster, mesmo sem o orçamento de um.

Aliás, o elenco reforça essa força narrativa: João Guilherme brilha no papel principal; Marcelo Serrado encarna o poderoso chefão da quadrilha que recruta o adolescente prodígio, já Emilio de Mello dá vida ao pai preocupado com a honra da família e Débora Ozório vive a inocente namoradinha de Daniel. Mesmo com 2h16, o longa-metragem se desenrola de forma tão envolvente, vibrante e acelerada que o tempo passa sem que se perceba. A voz em off de João Guilherme conduz o espectador, revelando os bastidores dessa vida de hacker.

O filme não impõe uma lição moral. Daniel, após ser preso, hoje vive de forma relativamente modesta, dando palestras e prestando consultoria sobre cibersegurança, mas sem qualquer sinal de arrependimento. Assim como outras obras de Bittar, O Rei da Internet desafia o politicamente correto, privilegiando uma narrativa honesta e sem maniqueísmos. É um filme pop, ágil, uma ótima pedida para quem quer diversão, sem abrir mão da reflexão sobre os riscos da internet.

Desliguem os celulares e ótima diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

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