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Rosebush pruning: Karim Aïnouz apresenta sátira contemporânea de família disfuncional

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Inspirado no clássico “De Punhos Cerrados“(1965), de Marco Bellocchio, Rosebush pruning, novo filme de Karim Aïnouz, traz um estilo visual provocativo, com uma estética marcante e claustrofóbica e pouca coesão narrativa. O longa é um suspense com tom tragicômico entre o melodrama e o humor negro.

Diirigido por Karim Aïnouz, escrito por Efthimis Filippou Rosebush pruning transborda perversidade, um visual marcante e atuações intensas e perturbadoras. O filme explora o erotismo de forma incômoda e antierótica. Junto a isso,  a direção de arte e a atmosfera de isolamento capturam bem o tédio e a apatia de uma família privilegiada e completamente disfuncional.

O filme é uma ousada sátira contemporânea sobre as contradições da “família tradicional”. Ambientado em uma mansão na Catalunha, Rosebush pruning acompanha uma família americana privilegiada e excêntrica, envolta em conflitos absurdos. Os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert vivem isolados do mundo, usufruindo da fortuna que herdaram. Enquanto isso ignoram as demandas do pai cego e buscam amor e acolhimento uns nos outros, vivendo às voltas com as mais recentes roupas de grife.

A produção lembra a estética narrativa de Saltburn (2023) devido a cenas chocantes envolvendo fluidos corporais, além de uma narrativa sombria sobre obsessão e a elite. Aliás, ambos os filmes são uma sátira e tratam de forma irônica a realidade dos podres de rico. A família bilionária entra em colapso ao ter suas suas rotinas distorcidas.

Dramaticamente vazio, Rosebush Pruning pode até trazer atuações sólidas, mas jamais consegue corresponder às suas ambições satíricas com sagacidade ou perspicácia genuínas, os personagens são emocionalmente estéreis e a um roteiro distante, que os impede de gerar real empatia ou impacto dramático duradouro. Ainda assim é uma sátira sombria sobre privilégio, crueldade e destruição mútua.

Com um humor ácido e deliberadamente provocador, Rosebush Pruning transborda perversidade, mas carece de força real. Aïnouz entrega um visual marcante e atuações intensas, embora suas transgressões pareçam, muitas vezes, mais decorativas do que perturbadoras.

Apesar de contar com nomes de peso como Jamie Bell, Elle Fanning e Callum Turner, Rosebush pruning é, certamente, excêntrico. O comportamento desagradável dos personagens, inclusive, lembra os personagens de Yorgos Lanthimos. Karim Aïnouz faz uma provocação mesquinha que se encolhe e se desintegra assim que termina.

*Filme visto durante o Festival do Rio 2026

Alê Shcolnik
Alê Shcolnikhttps://www.rotacult.com.br
Editora de conteúdo e fundadora do site, jornalista, publicitária, fotografa e crítica de cinema (membro da ACCRJ - Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro). Amante das Artes, aprendiz na arte de expor a vida como ela é. Cultura e tattoos nunca são demais!

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