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Roberto Tardelli lança “O Espelho das Bruxas”

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Depois de mais de três décadas atuando no Ministério Público de São Paulo e de ter conduzido a acusação no Caso Von Richthofen, um dos julgamentos criminais de maior repercussão do país, Roberto Tardelli encontrou na literatura outra forma de investigar aquilo que sempre esteve no centro de sua trajetória: o comportamento humano diante da violência. É desse encontro entre Direito e ficção que nasce “O Espelho das Bruxas”, romance publicado pela Emó Editora.

A obra acompanha Lilith e Circe, duas mulheres marcadas por traumas do passado que encontram, no eco de um crime bárbaro, uma possibilidade de confrontar as dores que carregam. O romance atravessa temas como abuso na infância, violência contra mulheres, culpa, desejo de reparação e os limites entre justiça e vingança.

No Rio de Janeiro, o lançamento ganha também uma conversa sobre as relações entre literatura, jornalismo, imagem e os diferentes modos de narrar a violência. Tardelli participa de um debate com a jornalista Luciana Barreto, âncora e editora-chefe do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, mestre em relações étnico-raciais e autora de Discursos de Ódio contra Negros nas Redes Sociais, e com o cartunista, escritor, ilustrador e roteirista Miguel Paiva, responsável pela capa de O Espelho das Bruxas. A proposta é ampliar a discussão do romance para além do Direito, colocando em diálogo diferentes perspectivas sobre violência, sociedade, representação e os efeitos da exposição pública de histórias e conflitos.

Mas o livro também desloca o olhar para um fenômeno cada vez mais presente na vida contemporânea: o julgamento paralelo.

Nas redes sociais, crimes deixam de ser apenas objeto de investigação e passam a ser consumidos como espetáculo. Opiniões são transformadas em sentenças, suspeitos e vítimas são submetidos à exposição pública e a dor pode se converter em entretenimento.

É nesse território que Tardelli leva para a literatura uma experiência acumulada em décadas de atuação diante de conflitos reais.

A ficção, porém, não pretende reproduzir processos judiciais.

Em “O Espelho das Bruxas”, o autor utiliza elementos do thriller psicológico e da investigação policial para explorar aquilo que não cabe em autos, depoimentos ou sentenças: os traumas que permanecem, as relações que se transformam pela violência e as consequências de uma sociedade que frequentemente busca respostas imediatas para histórias complexas.

“O silêncio só ajuda o agressor. A capacidade de amar é sempre maior que a capacidade de odiar, porque o amor é uma necessidade vital; o ódio é uma contingência infeliz”, afirma Tardelli.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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