guerra-do-velho-capaÉ natural que, ao envelhecer, as pessoas percam grande parte de suas capacidades físicas. E se houvesse um modo de retirar sua mente, com tantos anos de conhecimento e memórias, e realocá-la em seu próprio corpo mais jovem? Guerra do Velho explora essa possibilidade, mas há uma condição para essa troca ser feita: é preciso se alistar no exército e deixar a Terra para sempre.

Em um futuro distante em que viagens interestelares são tão comuns como voos domésticos, John Perry completa 75 anos e tem a oportunidade de abandonar a Terra e tudo que ela lhe deu, um emprego do qual se aposentou, filhos e Kathy, sua esposa falecida. Em busca de uma chance de recomeçar e viver novas aventuras, ele se alista às Forças Coloniais de Defesa e embarca em algo de que só ouviu histórias, já que todos que partem jamais retornam para confirma-las. Assim que embarca, John faz amizade com alguns passageiros, que formam uma gangue chamada “Os Velharias”, mas, apenas, alguns dias depois de nomearem seu grupo, já não são mais velhos. Passando por um procedimento complicado, cada um deles retorna a seus corpos da época em que tinham 20 anos, mas agora com a pele em um tom de verde ou azul e habilidades fisiológicas extraordinárias, além de um computador implantado no cérebro chamado BrainPal e respostas sensoriais muito mais avançadas.

O grupo de amigos então passa o resto dos dias treinando e se acostumando aos novos receptáculos corpóreos para finalmente, partirem em diferentes missões, onde quase todos são separados. John permanece ao lado de Alan, e os dois percebem que estavam vivendo a melhor fase de suas vidas no centro de treinamento. A guerra alienígena os transformam imensamente, assim John descobre seu poder e sua engenhosidade na posição de líder, e recebe uma visita das Forças Especiais (conhecidas como as Brigadas Fantasmas) que pode colocar tudo à risca.

O livro é uma ficção científica com muita ação, mas não consegue deixar de lado a comédia devido à união do grupo de amigos, e esta combinação faz um sucesso incrivelmente construído. Por se tratar de uma guerra, algumas mortes são esperadas, mas são informadas subitamente pelo protagonista, não chegando a impactar o suficiente para fazer o leitor chorar, afinal, o drama não é a intenção principal do livro, é apenas uma consequência do desenrolar dos fatos.

Os personagens são encantadores, tocantes e engraçados. Reencontros acontecem em situações delicadas, mas juntos criam exatamente o que John queria desde o princípio – novas memórias – e passam a viver as suas próprias quando se separam. Para explicar as diversas teorias que o autor cria para quem o lê sem parecer forçado e narrado pelo protagonista, sempre há a presença de um amigo “ignorante como os meros mortais lendo esse livro”, ou seja, que não compreende a tecnologia, neste caso, Thomas é seu nome. Normalmente esse tipo de personagem é um pouco irritante, mas o autor consegue fugir do clichê nesse aspecto.

Há certo romance no livro, principalmente quando todos se tocam de que seus corpos cinquenta anos mais jovens possuem uma maior vitalidade e virilidade, mas quando essa fase inicial de autodescoberta passa, quase nenhum sentimento fica, a não ser os que surgem ao longo do enredo. Há modos maravilhosos de se contar uma história de amor e este livro apresenta um deles.

Com a ideia de utopia para alguns, distopia para todos que cruzarem o caminho dos primeiros, presente em todas as batalhas e discursos de superiores do livro, o livro consegue, além de entreter, elucidar alguns debates da sociedade atual. O gênero ficção científica pode afastar algumas pessoas da leitura, mas em Guerra do Velho, é preciso mergulhar de cabeça nesse universo novo e experimentar a jornada do moderno, mas de memória preservada, John Perry, cadete das Forças Coloniais de Defesa.

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