Você está mais uma vez com diversos filmes no circuito do Festival do Rio, futuramente na Mostra de São Paulo, e com um de seus projetos, o longa Me Chame pelo Seu Nome dirigido por Luca Guadagnino, despontando como um dos favoritos para a corrida do Oscar. Como funciona as articulações de um produtor em promover seus projetos com o intuito que cheguem até grandes festivais, sejam bem recebidos, e que possam ter chances reais de serem premiados?

Rodrigo Teixeira – Não há uma articulação em si, né. Os projetos são selecionados pelos os curadores dos festivais. Conforme você vai criando uma carreira, as assessorias associam a sua produtora a esse projeto, em alguns casos facilita na seleção, mas no âmbito internacional o que conta não é o produtor, o produtor obviamente é reconhecido pelo trabalho e tal, mas o que realmente conta é o trabalho do diretor. A produtora é um adendo a isso, ela é uma parte importante, mas não é o que carrega o filme para o festival.

Você recentemente fechou uma parceria de cinco filmes com Scorsese. O que você pode nos revelar sobre esses futuros projetos?  E com relãção  produção original da Netflix  com Scorcese?

Rodrigo Teixeira – São projetos de diretores estreantes, e que tem uma visão que interesse a RT e a Sikelia (produtora do Scorsese) , para que se faça o financiamento do filme. O primeiro filme selecionado nessa leva foi  A Ciambra dirigido por Jonas Carpignano.

Sobre a parceria,  Martin Scorsese declarou, em comunicado oficial estar animado em trabalhar com Rodrigo Teixeira e RT Features neste iniciativa. “Está cada vez mais difícil para jovens cineastas conseguirem fazer seus filmes. Este fundo vai prover apoio real onde há necessidade urgente.”

Scorsese  conheceu o trabalho de Rodrigo Teixeira no filme Francis Ha (de Noah Baumbach), sucesso do cinema cult americano de 2013. O projeto foi anunciado em Cannes .Com relação o projeto com a Netflix, eu não faço parte dessa produção, é uma produção exclusiva da produtora do Scorsese e dirigida por ele.

E os próximos filmes?

Rodrigo Teixeira –Tem o filme novo do Karim Ainouz aqui no Brasil, to fazendo o filme novo do Ali Muritiba, O Barba ensopado de sangue e o filme novo do Mateus Souza, Os Suicidas, baseado no livro de Rafael moss .

O produtor além do desenvolvimento, captação do projeto e responsável para que tudo aconteça, mas raramente é atribuído ao lado mais artístico. Como funciona está linha tênue de trabalhado ao lado do diretor, e o quão você se envolve com o conceito mais artístico da produção?

Rodrigo Teixeira – Como em qualquer profissão do mundo, a sua função é te se fazer valer o seu trabalho e fazer valer com quem esteja trabalhando com você tem respeito. Caso seja um diretor que lida com arte ele tem que visualizar o meu trabalho como produtor, , que valorize a minha história na hora de conversar com eles, ai eu consigo na maioria das vezes dialogar com as pessoas.

Mesmo com uma carreira bem sucedida no exterior, você ainda investe bastante no cinema nacional, e principalmente no nosso cinema independente. Quais são os “Brasis” que você deseja apresentar para o público estrangeiro? Qual é para você a necessidade de reivindicarmos nosso nacionalismo em uma cultura tão diversa e ampla?

Rodrigo Teixeira – Eu gosto muito de fazer cinema nacional, tenho muito interesse em fazer cinema nacional. Diminui um pouco o volume por que hoje eu acho que você não faz cinema no Brasil sem apoio e incentivo necessário, durante muito tempo o meu discurso era completamente diferente. E hoje eu tenho certeza que infelizmente, ou felizmente, sem incentivos fiscais você não faz cinema no Brasil. É o único organismo possível para se conciliar de uma obra no país. E ai, os Brasis que eu quero levar lá para fora, depende.

Seja nos Brasil , Estados Unidos, na Argélia ou na Rússia, são filmes que eu gostaria de ver no cinema , as vezes um filme que eu gostaria de ver no cinema que é feito no Brasil não necessariamente viaja. Já o filme que eu tenho feito nos EUA normalmente viaja, então, é uma área que não tem muita escolha , eu acho que o cinema brasileiro, por si só passa por um processo mais complicados, eu acho que a gente tem situações aonde o filme brasileiro tem viajado menos, por várias razões, e eu acho uma pena que isso aconteça, eu como produtor acho ruim.

*entrevista feita por telefone

 

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