Foi na era de ouro dos quadrinhos, compreendido entre 1938 e 1954, que a chamada trindade da DC Comics ( os três principais nomes da editora) surgiu. Aqui o ideal do super herói moderno foi criado e a industria de quadrinhos, até então focada em histórias policiais, percebeu que seu publico já não se satisfazia mais com as publicações ocasionais. Os EUA enfrentavam a pior crise financeira da sua história, as máfias haviam ganhado muita força com a lei seca. O público simplesmente não suportava mais comprar histórias violentas, a justiça não funcionava, o amor desaparecera após a grande guerra e a esperança morria junto com a economia.

Em 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster criaram um personagem que ia na contramão de tudo que existia até então. Superman representava uma fusão de conceitos fundamentados na crença judaica de ambos, ele possuía os poderes dignos dos heróis mitológicos gregos com uma origem pautada na ficção cientifica e nas maravilhas tecnológicas que se imaginava para o futuro.

Em 1939, um novo herói fora criado pelas mãos de Bill Finger e Bob Kane. Testemunha da morte de seus pais por meio da violência ele cresceu para se tornar um vigilante das sombras, que utilizaria o medo para aterrorizar aqueles que amedrontavam as pessoas. Sua limitação natural humana lhe garantiu uma aproximação maior com seus leitores assim como sua cidade poderia muito bem ser qualquer cidade do mundo. Essa cidade era Gotham, esse vigilante era o Batman.

Por ultimo em 1941, surgiu a grande representante das mulheres nos quadrinhos. A Mulher Maravilha, nascida pelas mãos do psicólogo William Moulton, possuía o sangue de deuses mais era extremamente ligada as questões sociais, por ter nascido em uma ilha de amazonas sua perspectiva de certo e errado muitas vezes entravam em conflito não só com outros personagens mas com os leitores masculinos.

As histórias da Era de ouro eram marcadas pelo tom simplista, mas muito violento, aonde os heróis não economizavam em força para deter simples assaltantes de banco mas mesmo assim foi o que o público precisava para reatar o moral em um período turbulento. No entanto, ao fim da Segunda Guerra mundial o panorama americano era outro. A crise financeira dera lugar a uma próspera economia pautada em empréstimos a países europeus e ainda movida a produção em massa de roupas, alimentos e armas para os soldados.

A era atômica, como ficou conhecido o pós segunda guerra, reavivou o sonho do cidadão comum de viver em uma utopia, aonde a vida era segura, feliz e apoiada na tecnologia. A industria dos quadrinhos mais uma vez ouviu a população e iniciou sua era de prata com a criação de heróis otimistas como o Flash ( Barry Allen), Lanterna Verde ( Hall Jordan) e Caçador de Marte. Nos anos 50, o autor Gardner Fox fez da união desses novos heróis (com a adição da Mulher Maravilha e Aquaman) da inicio à Liga da Justiça da América, uma associação de seres super poderosos dispostos a proteger o mundo.

Superman e Batman foram mantidos a parte do grupo por determinação da própria DC Comics, pois eles já integravam um grupo anterior a Liga conhecido como Sociedade da Justiça e em parte porque eles eram os carros chefes da editora, que ainda não confiava no novo grupo. A primeira edição da equipe, publicada em 1960 na vigésima oitava edição do selo “ The Brave and the Bold”, trazia a ameaça alienígena de Starro ( uma estrela do mar espacial) cuja a raça era formada por conquistadores de mundos.

O sucesso da linha editorial levou a DC a arriscar na produção da serie animada “Super Amigos” de 1973, introduzindo pela primeira vez Superman e Batman como membros regulares. Produzido pela Hanna Barbera, a serie animada fez muito sucesso ao introduzir um publico novo ao universo das HQ´s, mostrando-os tantos os heróis tradicionais e outros novos como vilões desconhecidos.

No inicio dos anos 2000 a Liga da Justiça ganhou mais uma adaptação animada, agora pelas mãos dos premiados Bruce Timm e Paul Dini (criadores da serie animada do Batman). Dessa vez ela teria um tom um pouco mais sério do que em sua versão setecentista mas ao mesmo tempo carregada de carisma, tanto pela abertura clássica quanto por seus personagens muito bem desenvolvidos.

Mesmo com o passar dos tempos a Liga jamais perdeu sua característica primal, que é ser uma força voltada para o bem. Seus heróis podem representar à primeira vista a perfeição física/mental inalcançável ao homem mas a verdadeira questão é a mensagem deixada por eles: de que por mais poderoso que você seja, as vezes você não pode salvar o mundo (seu mundo pessoal no caso) sozinho.

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