Uma das grandes qualidades que o cinema tem é a capacidade de surpreender o expectador, sendo de uma forma positiva, faz com que você embarque em uma viagem só sua, de questionamentos, entendimentos, compreensões e principalmente, quando a experiência na grande sala escura é extraordinária, você sai outra pessoa.

Extraordinário (Wonder) no original é uma adaptação do romance infantil escrito por Raquel Jaramillo, sob o pseudônimo R. J. Palacio publicado em 2012 e que ganha vida pelas mãos do diretor e roteirista Stephen Chbovsky.

Vamos situar o caro amigo leitor, Extraordinário conta a historia de Auggie Pullman, um garoto que sofre da síndrome de Treacher Collins, que causa deformação facial. Ele sempre viveu enclausurado em casa, onde sua mãe o educou e alfabetizou, porém esta na hora de Auggie alcançar um novo patamar, onde sua mãe não tem como o proteger, encarar o mundo, e o inicio de uma nova vida, entrado na escola.

Uma das grandes surpresas desse filme é não ser brega e piegas, todo escopo da historia, poderia muito bem cair no lugar comum, e focar no drama e nas dificuldades do personagem, apenas apelando para o dramalhão barato. Porém tudo fica mais claro quando os 3 pilares para o grande cinema caminham juntos, que é ter um total controle entre direção, roteiro e atuação, e felizmente isso é muito, mas muito bem construído.

É claro que o foco principal da historia é nosso querido Auggie Pullman, vivido de uma forma extraordinária, pura e linda pelo ator Jacob Tramblay (com pesadíssima maquiagem), ele tem o talento de brilhar sozinho, quanto nas interações com sua família, em especialmente com a mãe vivida pela inspiradíssima Julia Roberts. Que enquanto ela é a autoridade da casa e largou tudo para se dedicar e cuidar do filho, o pai é um sujeito muito divertido, tranquilo, que evita o uso da autoridade para ser o ‘’pai amigão’’ e isso, o ator Owen Wilson faz muito bem. Destaque para sua Irma que tem tempo para um arco bem interessante e ao mesmo tempo obvio, já que praticamente toda atenção da família cai em cima de Auggie.

Outro ponto positivo do filme, é ver como funciona a estrutura fílmica do longa, nosso “herói’’ nunca se julga coitadinho, claro que só ele sente na pele todo peso da descriminação do mundo a sua volta, quanto mais agora exposto em uma High Scholl, onde todas as formas de bullying sofridas por Auggie nas aulas e nos arredores, fazem com que o expectador o encha mesmo que impossível, de força para que ele supere todas as adversidades e mais, a forma como essa historia é contada arrebata o expectador. Utilizando de um artifício muito inteligente, o filme é contado e visto pelos olhos das principais pessoas que estão em volta de Auggie, como em capítulos, sendo assim é muito fácil e perfeitamente compreensível os atos e os porquês dos personagens a sua volta terem certas atitudes.

Extraordinário na verdade é um filme inspirador, reflexivo, onde todas as questões ruins que permeiam o ser humano são testadas e não se culpe por se colocar também nesse patamar. E quer um conselho de amigo? Embarque nessa viagem e se deixe emocionar, rir, chorar, se enraivecer, se indignar e se deliciar com essa bela e extraordinária historia, e quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. O mundo a sua volta agradecerá.

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