Durante dois finais de semana de agosto, o Rio de Janeiro receberá uma mostra da efervescência e pluralidade da música baiana que vai muito além do que se ouve no dial. BaianaSystem & Pepeu Gomes, DJ Mauro Telefunksoul, Marcia Castro, OQuadro, Tom Zé, DJ Lord Breu, Retrofoguetes e Vivendo do Ócio  integram a programação, com curadoria de Pedro Seiler e Chico Dub
Nos dias 15, 16, 22 e 23 de agosto, sábados e domingos,O CCBB Rio, em parceria com os Correios, trará à cidade uma seleção da produção musical contemporânea da Bahia, uma das mais férteis do Brasil, em shows com ingressos populares (R$ 10 e R$ 5) na Praça do Centro Cultural Correios.
A terceira edição da Invasão Baiana, a primeira no Rio de Janeiro (as outras duas foram realizadas no CCBB de São Paulo e Brasília) segue os passos da Invasão Paraense, festival que em 2012 levou a cena musical do Pará também às capitais paulista e do Distrito Federal. Os dois projetos têm idealização e curadoria dos pesquisadores e produtores culturais Pedro Seiler (do Queremos!) e Chico Dub (curador do Festival Novas Frequências) e realização da Tema Eventos Culturais.
Historicamente um dos estados mais ricos do País musicalmente, a Bahia é o berço da Tropicália, dos Novos Baianos, da guitarra de Dodô e Osmar, do axé, do rock de Raul Seixas e Camisa de Vênus e da irreverência de Tom Zé, entre outros muitos artistas e movimentos artísticos, alguns menos conhecidos da mídia.
“Há menos de 10 anos, uma nova chama criativa vem surgindo no campo musical baiano, com uma geração de bandas e artistas que brota ininterruptamente. Rock, pop, MPB, dub, hip hop, ritmos afro-brasileiros…Tem de tudo um pouco no Invasão Baiana”, explica Pedro Seiler. “Esses ‘novíssimos baianos’ que desembarcam no Rio de Janeiro mostram um abrangente tabuleiro musical, com influências nacionais e do mundo, trazendo na bagagem, também, uma mescla de ritmos essencialmente regionais”, diz Chico Dub.
A banda BaianaSystem, que resgata a guitarra baiana eternizada pelas figuras de Dodô e Osmar, em show com participação especial de Pepeu Gomes, e a novíssima onda do bahia bass – mistura de música eletrônica e ritmos regionais -, do DJ Mauro Telefunksoul abrem a edição carioca do festival, em 15 de agosto, sábado. No dia seguinte (16), é a vez da MPB contemporânea e singular de Marcia Castro e do rap “new school” – em diálogo constante com outras vertentes musicais -, do grupo OQuadro, que acaba de levar sua fusão de hip hop com ritmos como ijexá e afrobeat ao renomado incensado festival dinamarquês Roskilde e fará sua sua estreia nos palcos cariocas.
Tom Zé, um dos mais importantes e questionadores – para não dizer subversivos –artistas do estado, se apresenta no sábado seguinte (dia 22), junto com outro importante nome do bahia bass, DJ Lord Breu.  Domingo (23) é dia de rock: com a mistura de surf music, rockabilly, jazz, polca e latinidades que compõe a música instrumental pop do grupoRetrofoguetes e os rápidos riffs de guitarra e espírito indie do Vivendo do Ócio.
“A safra é tão grande que nesta terceira edição do projeto fizemos questão de incluir artistas que não passaram pelos festivais anteriores. Infelizmente (ou felizmente, pois evidencia a riqueza do Estado) não há espaço para todo mundo, assim, ficaram de fora desta edição grupos que levamos a Brasília e a São Paulo no ano passado, como Lucas Santtana, Dois em Um, Maglore, Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, Dubstereo e Cascadura e muitos outros que ainda participarão de próximas edições do projeto”, completa Seiler.
Programação e mais informações sobre os artistas
Sábado, 15 de agosto, às 21h:
BaianaSystem & Pepeu Gomes l  DJ Mauro Telefunksoul 
BaianaSystem
Com um pé na Jamaica e outro na Bahia, a BaianaSystem, projeto idealizado pelo músico Robertinho Barreto, explora novas possibilidades da guitarra baiana, cruzando-a com diversos elementos do dub. A singular guitarrinha, criada na Bahia em meados dos anos 40, foi responsável pelo surgimento de uma linguagem instrumental totalmente nova, usada em frevos, choros e até rock, vide o grande Pepeu Gomes, que faz participação especial no show.
Acompanham Barreto na banda o vocalista Russo Passapusso, o baixista e também produtor musical do grupo Marcelo Seco, o percussionista Wilton Batata e o DJ João Meirelles, que fica a cargo das bases e dos dubs. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, homônimo, em 2010, e do EP Pirata (2013), o grupo tem se apresentado em palcos como New Orleans Jazz Festival, nos Estados Unidos, o Global Fest em New York, festival F ujirock no Japão, além de passagens pela Rússia, Dinamarca, China e França.
Nos próximos meses lançam seu próximo CD, com produção do paulista Daniel Ganjaman, que assina trabalhos da Nação Zumbi, Otto e Criolo, entre outros artistas. “Ver o BaianaSystem ao vivo é uma experiência obrigatória para quem gosta de boa musica. A mistura dos graves com a guitarra baiana é única e certamente um dos melhores shows do Brasil”, comenta Pedro Seiler.
DJ Mauro Telefunksoul
Com mais de 20 anos de carreira, o DJ e produtor musical Mauro Telefunksoul é um dos maiores divulgadores do bahia bass, a fusão da vertente eletrônica bass music  com influências regionais baianas que tem ganhado o mundo. Tanto é que entre as mais recentes aparições de seu trabalho estão programas das rádios BBC 1’s Stories e A Tropical Beats,  ambas de Londres.  Telefunksoul assina a curadoria da coletânea Bahia Bass vol 1, que saiu pelo selo paulista Braza Music e acaba de lançar o EP ÄfroxéBA$$.
“Pagode baiano, os blocos afros e afoxés, o samba de roda do Recôncavo, o próprio axé Music…Tudo isso são influências do novo gênero eletrônico conhecido como bahia bass, o novo fenômeno da música baiana. E o Mauro é uma espécie de embaixador do estilo”, comenta Chico Dub.
Domingo, 16 de agosto, às 16h: Marcia Castro l OQuadro
Marcia Castro
Desde que lançou o CD Pecadinho, em 2007, a música de Marcia Castro tem dado o que falar: foi indicada ao Prêmio TIM/2008 como melhor cantora de pop-rock; se apresentou no Montreux Jazz Festival; teve a música “Queda” incluída em novela da Rede Globo; foi convidada pela diva argentina Mercedes Sosa a participar de seus shows na Alemanha, Israel e Brasil.
Em 2012, lançou de De pés no chão, álbum que reúne clássicos como “Preta pretinha”, dos Novos Baianos, a raridades garimpadas em suas pesquisas sonoras, como “Catedral do inferno”, de Cartola e Hermínio Bello de Carvalho, e em 2014 “Das Coisas que Surgem”, com produção musical do paulista Gui Amabis e distribuição da Sony Music, álbum em que estreia como compositora.
Agitadora cultural, Marcia promove nos verões baianos o projeto “Pipoca Moderna”, reunindo no mesmo palco diversos artistas, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Otto, Baby do Brasil, Luiz Melodia e Elza Soares, entre outros. Pedro Seiler dá suas impressões: “Marcia vem se destacando com uma das mais importantes vozes da nova MPB. Seus shows, com a experiencia dos ensaios do Pipoca, são imperdiveis!”.
OQuadro
OQuadro é uma das bandas baianas representantes da tendência do hip hop  intitulada de nova escola (new school), que busca inovações sonoras a partir do diálogo com outros estilos musicais e movimentos culturais. As composições do grupo oscilam entre o local e o universal, vão do ijexá ao afrobeat, sem deixar de ser rap. Lançaram em 2012 seu CD de estreia pelo selo Coaxo do Sapo, com direito a participação especial de seu fundador, o músico Guilherme Arantes, convidado do disco em algumas faixas, assim como a MC paulistana Lurdez da Luz e o baiano Dimak. O grupo trabalha no próximo disco, que deve sair ainda neste ano, e já rendeu três singles inéditos lançados virtualmente. Participam de duas coletâneas europeias, Brazilian music export e Bahia music export vol 3.  
“Mesmo com apenas um álbum no currículo, OQuadro já é um dos novos artistas baianos com mais experiência internacional. Já tocaram em diversas oportunidades no Reino Unido e recentemente voltaram de uma gig no dinamarquês Roskilde, um dos mais importantes festivais do mundo. Detalhe: OQuadro irá fazer sua estreia no Rio!”, afirma Chico Dub.
Sábado – 22 de agosto, às 21h
Tom Zé l DJ Lord Breu
Tom Zé
Um dos nomes mais importantes da música brasileira e participante ativo do movimento da Tropicália nos anos 60, Tom Zé encerra o primeiro dia do festival com repertório que condensa seus quase 50 anos de carreira.
Ele se apresenta acompanhado por Rogério Bastos (bateria), Daniel Maia (guitarra e vocal), Cristina Carneiro (teclados e vocal), Jarbas Mariz (percussão, bandolin, viola 12 cordas, vocal), Felipe Alves (baixo, vocal) e Lia Aroeira (voz). Augusta, Angélica e ConsolaçãoNave Maria, Parque industrial e São São Paulo, são esperadas no show, entre outras músicas.“Nosso maior provocador, nosso maior mestre na arte de explicar para confundir, esse é o Tom Zé”, conclui Chico Dub.
Lord Breu
Baiano de Salvador, Lord Breu é um DJ e produtor que mantém sua atenção voltada para a bass music global de tendências tropicais. Elementos da cultura afro-baiana são comuns em muitas de suas produções, que passeiam por trap, twerk, moombahton e bahia bass. Seu primeiro EP, Futurafro, foi destaque em alguns dos principais veículos internacionais desses estilos, como Generation Bass, Mad Decent e Tropical Bass.
“O Lord Breu nunca tocou no Rio e tenho certeza que seu som, logo após Tom Zé, fará todo o sentido do mundo, afinal de contas, ambos são tropicalistas absolutos!”, diz Chico Dub.
Domingo, 23 de agosto, às 16hRetrofoguetes l Vivendo do Ócio
Retrofoguetes
Surf music, rockabilly, jazz, polca e música latina e inspirações em literatura, cinema e HQs de ficção científica se misturam na sonoridade singular dos Retrofoguetes. O resultado é uma música instrumental pop e extremamente visual, como a trilha sonora de um filme imaginário.
Desde sua criação, em 2002, a banda vem colecionando elogios da imprensa, prêmios e participações em importantes festivais, entre eles Abril Pro Rock, Virada Cultural deSão Paulo, Goiânia Noise e  Festival de Verão de Salvador. 
Com nova formação, Rex (bateria), Morotó Slim (guitarra), Julio Moreno (guitarra) e Fábio Rocha (baixo) -, o grupo mostra seus dois CDs lançados, Ativar Retrofoguetes (2003) e Chachachá (2009), este último considerado pela revista Rolling Stone como um dos 25 melhores discos nacionais do ano e indicado Prêmio VMB, da MTV, e apresenta ainda o repertório do próximo álbum, Dramascope vol. 1, em fase de gravação. “Surf music, rock instrumental, ska…fazendo uma mistura de ritmos o Retrofoguetes vem ao Rio pela primeira vez!”, comenta Seiler.
Vivendo do Ócio
Jajá Cardoso (vocal e guitarra), Dieguito Reis (bateria), Luca Bori (baixo e vocais) e Davide Bori (guitarra) são mais do que uma banda: formam uma família roqueira com fãs por todo o Brasil. O quarteto vive junto em São Paulo desde que saiu da Bahia e assinou um contrato com a gravadora DeckDisk. Desde então, sua música com influências de rock inglês e punk rock, mas que não deixa de beber em inspirações brasileiras que vão de Raul Seixas a João Gilberto e Luiz Gonzaga, tem arrastado fãs por todo o Brasil. Lançaram três álbuns de estúdio, levaram para casa diversos prêmios, entre eles quatro VMB, da MTV, entraram para listas de melhores shows e discos do ano de publicações como a Folha de SP e integraram o line-up do festival Lolapalooza Italia. Na apresentação, mostrarão também o repertório do novo CD, “Selva Mundo”, em fase de finalização. “Em quase 10 anos de estrada, o Vivendo do Ócio é o maior representante do “novo” rock baiano, com apresentações incendiárias”, finaliza Pedro.
Serviço Invasão Baiana
Dia 15, 16, 22 e 23 de agosto de 2015
Local: Praça do Centro Cultural Correios, ao lado do CCBB
Horários: Sábado, 21h l Domingo, 16h
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada
) à venda na bilheteria do CCBB até às 21h da data de cada show ou pelo sitewww.ingressorapido.com.br.
Importante: o ingresso não poderá ser adquirido após 21h nas datas dos shows, a bilheteria estará fechada
Capacidade: 800 pessoas  (300 lugares com cadeira e 500 de pista)
Classificação: Livre
Há acesso a cadeirantes
Mais informações: www.facebook.com/invasaobaiana

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