Projeto resgata a tradição das artes cênicas no primeiro parque público do Brasil, após 78 anos do último espetáculo encenado no local


Entre os anos de 1926 e 1937 funcionou no Passeio Público o Theatro-Casino Beira Mar, uma pérola da arquitetura neocolonial brasileira, considerado ponto de encontro de modernistas, palco das melindrosas, do teatro de vanguarda, da explosão do jazz e do charleston, e local por onde circularam nomes como Procópio Ferreira, Paschoal Carlos Magno e Jaime Costa.


A edificação considerada descaracterizadora pelo então prefeito do Rio Henrique Dodsworth (1937-1945) foi implodida, e durante 78 anos o primeiro parque público do país ficou sem receber espetáculos de artes cênicas, realidade que começa a mudar com a estreia do Festival Passeio Em Cena.


Nos dias 31 de outubro e 1° de novembro, das 10h às 22h, grupos de diferentes regiões da metrópole fluminense vão ocupar os jardins do Passeio com peças infantis e adultas, circo, contação de histórias, performances, debates e uma oficina de construção dramatúrgica a partir de elementos da cidade.
O Festival Passeio Em Cena nasce da vontade de realizar um encontro entre grupos de teatro e circo, pensadores, público e produtores culturais que utilizam a rua como plataforma para seus fazimentos artísticos. A ideia é discutir a criação estética e o poder de mobilização através das vivências cênicas.


Além das apresentações, os espectadores vão aproveitar um circuito gastronômico de comidas artesanais, e sets do DJ Eppinghaus, ao final de cada noite.  


A iniciativa é uma parceria da SerHurbano com o Coletivo Peneira, por intermédio do movimento O Passeio é Público, que em julho deste ano ocupou o parque com uma maratona multicultural. Foram 12 horas de programação, e mais de 50 artistas que levaram cerca de 5 mil pessoas a redescobrirem o espaço.  


Construído no século XVIII, o Passeio Público foi o primeiro parque público do país. Localizado no coração do Centro do Rio de Janeiro, na Rua do Passeio, principal artéria de ligação entre a Lapa e a Cinelândia, é um local arborizado, fresco e agradável, que em seus 230 anos de história marcou a vida de muitos cariocas.


SOBRE O THEATRO-CASINO BEIRA MAR


Em 1921 o prefeito Carlos Sampaio pretendia construir no Passeio Público um prédio que contasse com hotel para turistas estrangeiros, salões de festas, gabinetes de leitura, e mirantes voltados para a Baía de Guanabara. Entretanto o projeto não seguiu adiante, e em 1926 a construção deu lugar ao Theatro-Casino Beira Mar, também chamado de Beira Mar Casino, que funcionava como teatro e cabaré. A estréia oficial aconteceu com a peça A Sorte Grande, de Manuel Bastos Tigre. As atrações do local variavam de apresentações da exótica dançarina norte-americana Josephine Baker a companhias de teatro de nomes consagrados. Jaime Costa, por exemplo, encenou no local várias peças, como Uma Noite em Claro, O Processo Voronoff, Espumante para Senhoras e A Família Kollossa.


No Theatro-Casino nasceram também dois importantes movimentos do moderno teatro brasileiro. Em 1927 estreava no antigo belvedere do Passeio Público a peça Adão, Eva e outros membros da família, encenada pela Companhia Teatro de Brinquedo, liderada pelo casal Álvaro e Eugênia Moreyra. A peça chamou a atenção pelos cenários realizados por Di Cavalcanti e Luiz Peixoto e por apresentar atores praticamente desconhecidos. A Companhia Teatro de Brinquedo, que introduziu no Brasil autores como Pirandello e Cocteau, era formada por jovens oriundos da burguesia e forjou talentos como Joracy Camargo.


Também no Beira Mar Casino nasceu a Companhia Caverna Mágica, liderada por Renato Viana, que mais tarde seria o primeiro diretor da Escola de Teatro Martins Pena, no Centro do Rio. Fazia parte da Caverna, um jovem ator, que depois se destacaria como um dos maiores dramaturgos brasileiros: Paschoal Carlos Magno. Em 1934, Viana criou, no Casino, o projeto Teatro-Escola, com o objetivo de formar jovens talentos, produzir espetáculos populares e democratizar o acesso ao teatro. A estreia do projeto aconteceu com Sexo, peça lançada em 1934, com um elenco formado por Jaime Costa, Olga Navarro, Delorges Caminha, Itália Fausta e Suzanna Negri, com direito ainda à coreografia especialmente elaborada pela vedete Eros Volúsia.


Na gestão municipal de Henrique Dodsworth (1937-1945) foram implodidos os prédios onde funcionavam o Theatro-Casino. Com a demolição, o terraço do Passeio foi liberado, e o jardim restaurado, e assim surgiu a Rua Mestre Valentim, hoje incorporada à Avenida Beira Mar.


PROGRAMAÇÃO:
DIA 31 DE OUTUBRO (SÁBADO)
10h
GRÁTIS – Contação de história: Histórias que contam por aí, conto por aqui…
Companhia: Cia Sol de Brinquedo
Classificação indicativa: Livre
Duração: 40 min
Sinopse: As histórias são contadas com bonecos de vara e bonecos de tecidos, estabelecendo um jogo cênico entre o contador e o personagem (boneco). Cada história, sobre contos populares brasileiros, é sonorizada com ritmos, cantigas populares e músicas autorais executadas ao vivo com violão e pandeiro.


11h
GRÁTIS – Contação de história: Palavra Viva
Companhia: Manguinhos em Cena
Classificação indicativa: Livre
Duração: 40 min
Sinopse: Palavra Viva é uma contação de histórias que se propõe apresentar autores nacionais a crianças e jovens. A contação permite uma aproximação direta com o público, através de temas como identidade, autoestima e convivência. As mensagens transmitidas oferecem aos espectadores a oportunidade de reflexão e divertimento.


14h
GRÁTIS – Oficina: Teatro e Sua Arte Popular
Companhia: Coletivo Peneira
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 120 min
Sinopse: A oficina propõe a desmistificação do significado de cultura popular, comumente associado ao folclore. A cidade e seu cotidiano são apresentados como elementos cruciais para a construção teatral, realizando uma combinação entre as artes cênicas e cultura urbana. O processo de criação é estimulado através da observação e contato com a memória, deslocamento, ficção, e território, alinhados com estudos sobre Luís da Câmara Cascudo, Ariano Suassuna, Mario de Andrade, Kandinsky, João do Rio, em conjunto com técnicas de grandes mestres do teatro como, Uta Hagen, Antoine Artaud, Augusto Boal, entre outros.


15h30
GRÁTIS – Performances Oranian e Yaô
Companhia: Entre Lugares, terras que pisei, histórias que contei, do Complexo da Maré
Classificação indicativa: Livre
Duração: 15 min
Sinopse: Oranian – O pisar de Oduduá no montículo de terra, deu-se origem ao processo de criação do plano terrestre, Exu abrindo os caminhos, Oduduá tem ajuda de um galo, um pombo, um camaleão e os encantos de Oranian para concluir seu fundamento dado por Olorum.
Yaô – O inspirar e respirar de Olorum deu origem à água. No balanço do ar e o mar, parte se torna terra se solidificando, dando forma ao montículo de terra. Olorum sopra, surge Exu. Oduduá encarregada da criação, pisa na terra, com um galo, um pombo e um camaleão.
Direção: Hyan Victor


16h
GRÁTIS – Performance teatral Bigorna-Work in progress
Companhia: Coletivo LÁ ENCASA
Classificação indicativa: Livre
Duração: 35 min
Sinopse: A performance teatral “Bigorna-Work in progress” conta a história de Bibi- uma bicicleta Berlineta 78, que experiencia momentos de aventura, questionamento, partida e poesia junto a sua dona, companheiras inseparáveis. O trabalho protagoniza a figura da bicicleta, magrela, bici, convidando o espectador a compor essa fração de tempo junto as personagens. Fruto do “Escuto histórias sobre bicicleta” projeto de ocupação urbana onde, a atriz Emilia Alcoforado e o diretor/psicodramatista Fabio Alcoforado disponibilizam seus ouvidos a qualquer transeunte que tenha uma história sobre bicicleta a contar. O coletivo LAENCASA trás pra rua um trecho de seu espetáculo inspirado em histórias reais, ainda em processo de construção.
Direção: Fabio Alcoforado


18h
GRÁTIS – Debate: Experiências e olhares sobre a produção teatral na metrópole fluminense
Com Vitor Lemos (diretor do curso de teatro da Universidade Cândido Mendes), Verissimo Junior (diretor do Grupo Teatro da Laje), Cristiane Muñoz (professora da Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena) e Leandro Santanna (Companhia Teatral Queimados Encena e Projeto Minha Sede Minha Vida).
Duração: 90 min


20h
GRÁTIS – Espetáculo: Panidrom
Companhia: Companhia Volante
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 90 min
Sinopse: É uma fábula que traz à cena a trajetória de nove personagens retirados de seus locais de origem por conta da construção de uma barragem, conduzidos por El Gran Perez Perez para uma terra nova. Com 10 atores, cinco músicos e uma bicicleta, o espetáculo itinerante se desenvolve por ruas, praças e espaços da cidade.
Direção: João Pedro Orban


21h30
GRÁTIS – Set O Passeio é Público
DJ Eppinghaus
Duração: 30 min


DIA 1° NOVEMBRO (DOMINGO)
10h
GRÁTIS – Contação de história: A Fruta Misteriosa
Companhia: Barracão da Potí
Classificação indicativa: Livre
Duração: 40 min
Sinopse: Na floresta Grajaúba uma das árvores guarda um grande segredo: uma fruta brilhosa, suculenta e mágica. E somente a Senhora Raposa poderá ajudar os animais a desvendar esse mistério. Duas passarinhas convidam o público a voar com o seu imaginário e participar dessa aventura musical e fantástica nas alturas.


11h
GRÁTIS – Espetáculo: Urucuia Grande Sertão
Companhia: Coletivo Peneira
Classificação indicativa: Livre
Duração: 60 min
Sinopse: A montagem conta a história de um rei de uma cidade do sertão brasileiro, viúvo, solitário e (muito) ansioso por ter netos de sua filha. Para isso, determina que seu fiel servo arrume um rapaz que se case imediatamente com a jovem. O que ele não supunha, porém, era que a princesa, muito inteligente, resolveria dificultar a situação, criando um concurso de charadas para encontrar seu pretendente.
Direção: Marcia do Valle


12h30
GRÁTIS – Espetáculo: O Homem da Maça
Classificação indicativa: Livre
Duração: 20 min
Sinopse: O Homem da maça tem uma temática extremamente existencialista, na qual narra as primeiras horas de vida de um bicho da maça, que sente, questiona e se posiciona diante de um mundo desconhecido.


14h
GRÁTIS – Oficina: Teatro e Sua Arte Popular
Companhia: Coletivo Peneira
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 120 min
Sinopse: A oficina propõe a desmistificação do significado de cultura popular, comumente associado ao folclore. A cidade e seu cotidiano são apresentados como elementos cruciais para a construção teatral, realizando uma combinação entre as artes cênicas e cultura urbana. O processo de criação é estimulado através da observação e contato com a memória, deslocamento, ficção, e território, alinhados com estudos sobre Luís da Câmara Cascudo, Ariano Suassuna, Mario de Andrade, Kandinsky, João do Rio, em conjunto com técnicas de grandes mestres do teatro como, Uta Hagen, Antoine Artaud, Augusto Boal, entre outros.


15h30
GRÁTIS – Performance teatral Tiro no Escuro, baseada no conto “Fábrica de fazer vilão”, do Ferréz
Companhia: Cia de Teatro da Arena Jovelina Pérola Negra
Classificação indicativa: Livre
Duração: 30 min
Sinopse: O conto discute o meio urbano e a representação da violência, com um recorte espacial: periferias e favelas. A partir de um contexto familiar, o texto retrata os modos de opressão física e psicológica, praticados pelo estado, com moradores de territórios populares.
Direção: Alexandre Damascena


16h
GRÁTIS – Espetáculo: Cabaré dos Mortos
Companhia: Circo no Ato e convidados
Classificação indicativa: Livre
Duração: 90 min
Sinopse: Show de variedades circenses


18h
GRÁTIS – Debate: A cidade e suas narrativas como plataforma de criação
Com Alexandre Damascena (diretor da Cia do Invisível e gestor do Teatro Municipal de Itaguaí), Isabel Gomide (Reage, Artista!) e Fabiano de Freitas (Teatro de Extremos e Ocupação Copi).
Duração: 90 min


20h
GRÁTIS – Espetáculo: Acabarão por nos esquecer
Companhia: Teatro Vírgula
Classificação indicativa: Livre
Duração: 60 min
Sinopse: Acabarão por nos esquecer: é o destino. Nada se pode fazer contra ele. Para onde ir, então? Ficar, partir? Construir a casa, cruzar a ponte: ser. Homens bravos e afamados, escutem hoje o nosso canto.
O espetáculo se baseia na história real da vila de Mazagão, discutindo a relação entre origem e pertencimento.
Direção: Pedro Struchiner


21h30
GRÁTIS – Set O Passeio é Público
DJ Eppinghaus
Duração: 30 min


SERVIÇO:
Festival Passeio Em Cena
Datas: sábado, 31 de outubro e domingo, 1° de novembro
Horário: 10h às 22h
Local: Passeio Público – Rua do Passeio, s/n° – Cinelândia
Informações: http://migre.me/rKNN1
Evento:
Grátis

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