Conversamos com Walter Daguerre, o autor do musical que homenageia o grupo Mamonas Assassinas, sucesso épico que marcou gerações. A peça que estreou ontem, no Rio de Janeiro, no Theatro Net Rio traz arranjos inéditos e releituras adaptadas. Confira abaixo, um pouco dos bastidores e da criação deste belíssimo espetáculo.

Os Mamonas não foram apenas uma banda. Marcaram época com tamanha irreverência e autenticidade, como é levar para os palcos uma história que fez parte da vida de tanta gente?

Foi um grande desafio desde o início. Mas depois que as famílias do Bento, Dinho, Julio, Samuel e Sergio riram e se emocionaram assistindo o ensaio geral da peça, eu tive a certeza de que a missão estava sendo cumprida. O retorno do público em São Paulo só veio consolidar essa certeza. A alegria contagiante deles está lá e faz a felicidade da nossa platéia do começo ao fim.

O musical é uma homenagem a banda que marcou os anos 90. Qual é a sua relação com as músicas deles?

E primeira vez que eu ouvi os Mamonas, foi numa festa infantil. Ver todas as crianças da festa pulando e cantando o Vira-vira foi um choque num primeiro momento. Depois eu acabei me rendendo (como todo mundo, aliás) ao humor debochado, escrachado, mas extremamente inocente dos Mamonas. Acabei comprando o CD pra mim e dando de presente pra um monte de gente. Era divertido demais!

Montar um musical não é fácil, o roteiro teve quantos tratamentos? Quanto tempo a produção levou para para encontrar os verdadeiros Mamonas?

Esse projeto foi uma pequena grande jornada. Os produtores tiveram que negociar com as quatro famílias por um bom tempo até chegar num acordo que satisfizessem a todos. Depois teve a saga pra conseguir patrocínio. Finalmente, quando eu recebi sinal verde pra começar a escrever, fiquei dois meses só pesquisando sobre os rapazes (minha principal fonte de pesquisa foi a biografia escrita pelo Eduardo Bueno, mas também assisti ao documentário que existe sobre eles e os milhares de videos na internet). O passo seguinte foi definir COMO contar essa história, o que se resolveu quando entendi que um musical sobre os Mamonas teria que ter a cara deles, sobretudo o humor. E pra isso nada melhor que deixar eles mesmos contar a própria história. Da mesma forma como eles brincavam com todos os gêneros musicais – rock, sertanejo, pagode, MPB – eles também estão em cena parodiando o teatro musical biográfico feito no Brasil.

Teve influências de outros musicais para montar esse texto?

Vi muitos videos de musicais da Broadway pra entender a estrutura clássica do musical. Também assisti aos musicais biográficos brasileiros em cartaz no período. Mas o musical que mais me influenciou foi The Book of Mormon. Assisti a montagem feita aqui pelos alunos da UNI-RIO e também a videos da montagem americana.

Serviço
O Musical Mamonas
Local: Theatro Net Rio (Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana)
Temporada: de 7 de julho a 28 de agosto
Dias e horários: de quinta a sábado às 21h / domingo às 19h

Foto: Rodrigo Rosa

Entrevista: Alê Shcolnik e Juliana Meneses

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