a-garota-dinamrquesaSão como três histórias diferentes. Um filme. Um livro. E a realidade. Todas com personalidades que divergem, fatos que não batem, mas com um denominador em comum: o nascimento de uma mulher chamada Lili Elbe. A segunda edição do livro de David Ebershoff é mais uma pequena forma de manter viva um evento tão ignorado por diversos motivos, dentre históricos até de pura ignorância ou preconceito.

Em sua introdução, David já deixa claro que é uma obra de ficção, que momento ali são baseados em entrevistas com Lili, diários, dentre outros arquivos, mas a “caverna do casamento” dos dois, Einar e Gerda (No livro denominada como Greta) em sua maioria é apenas uma grande fantasia. Talvez por isso A Garota Dinamarquesa se destaca dentre tantas outras biografias, por não se prender a realidade e te puxar para um universo onde tenta manter o leitor emocionado a cada momento.

Por outro lado, o erro e a dinâmica do livro fica comprometida quando a ficção toma mais espaço que a realidade. Quando parágrafos enormes de descrições “falsas” de lugares e roupas tornam a leitura cansativa. Mas o mesmo consegue alternar entre o massante e o interessante.

Abrindo o livro de Ebershoff, que outrora se chamou A Moça de Copenhage, tem que se ter em mente que é uma obra a parte do filme. O final e diversos ouros pontos divergem dentre uma obra e outra e claramente, também, devem divergir dos fatos reais. Assim como no filme, a “derrapagem” do livro é esquecer a repercussão da trans na sociedade. Repercussão que o próprio autor disse que preferiu esquecer e que não era esse o objetivo, mas a falta desses pontos torna a história bem mais surreal que real e o vazio de talvez não ter pego todas as nuances da história tomam o leitor.

No final, o livro é bem mais uma curiosidade para ampliar vários fatos. A obra trás bem mais sexo e intimidade do que o filme, não por que a adaptação preferiu ignorar, mas por não ter tido tanto espaço. Mas antes de uma curiosidade ou um simples complemento do filme, A Garota Dinamarquesa deve ser vista como uma história de amor e aceitação, que mesmo com seus pequenos erros e dúvidas, não mostra apenas a pioneira no movimento transgênero, mas duas grandes mulheres tentando se descobrir no mundo.

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