fallenBaseado no Best-Seller escrito por Laura Kate, o filme conta como Luce Price descobre que o mundo onde vive não é ordinário, e que além de possuir uma missão, novos amigos a apoiando e alguns invejosos, se encontra perdida no dilema de um triângulo amoroso. Esta poderia ser a descrição de qualquer livro de romance juvenil dos últimos dez anos. O sucesso que faz enquanto livro, chega aos ouvidos de uma produtora de Hollywood que agarra a história com pretensão de altas bilheterias no cinema, Fallen, novo longa da H2O Filmes, segue exatamente a mesma trilha.

Lucinda (Addison Timlin) passou a vida toda se sentindo esquisita e diferente das outras pessoas. Ela achava que tinha problemas psicológicos, pois via sombras a seguindo por onde quer que fosse. Ninguém acreditava nela até que um dia a casa onde estava com o namorado Trevor pegou fogo misteriosamente. Culpada indevidamente pelo ato, é deixada pelos pais no reformatório Sword & Cross, instituto para menores infratores. Lá, conhece o bad boy Cam (Harison Gilbertson) e o misterioso Daniel (Jeremy Irvine), ambos possuem um longo passado que envolve a menina e suas reencarnações.

Daniel, Cam e seus companheiros, são anjos caídos, seu mundo está em guerra, e é necessário que escolham seus lados. Alguns, como Cam, escolheram se aliar à Lúcifer, outros à Deus, enquanto Daniel, não decidiu por nenhum dos dois, mas sim pelo amor humano. Em todas as reencarnações de Luce, ela e Daniel se apaixonam, mas por causa de uma maldição, ela sempre morre. O garoto permanece desolado por anos até a próxima reencarnação, quando ela já não se lembra de mais nada. Desta vez, nos tempos atuais, a garota é conquistada por Cam, que afirma não ser mais aliado do diabo, ela fica dividida, mas Daniel permanece a atraindo como em todas as suas vidas passadas.

Encerrada a percepção do grande clichê que a história é, observam-se as falas. Retiradas diretamente do livro, elas perdem a naturalidade quando pronunciadas em voz alta. Seria fácil culpar os atores, novos e inexperientes no ramo, mas de um livro sem profundidade, e da necessidade de resumi-lo em uma hora e meia, há um desafio. É preciso escolher entre ser fiel à obra original, e aguentar a reclamação dos que possuem senso crítico, ou mudar a maior parte da narrativa para dar início à algo novo, e talvez até melhor, do que aguentar a reclamação dos fãs. No caso, os roteiristas decidiram pela fidelidade da primeira.

Os personagens viveram por séculos, e deveriam ser representados em diversas Eras, mas a dificuldade em mostrar os traços desses períodos históricos, fez com que, na edição, as cenas mal conseguissem ser discernidas pelo público, pois ficam enevoadas na tela. Além disso, a maioria dos personagens tem asas, lutam ou precisam ser salvos, o que é mostrado claramente, porém tão diferente do que se pode realizar com a tecnologia atual, que parece ter havido uma falta de investimento nesse ramo. Os efeitos especiais  foram uma grande falha na produção.

Fica bem óbvio só pelo tema e assunto, que esse tipo de filme – baseado em livro, com triângulo amoroso e aspecto sobrenatural – já saiu de moda. E há muito tempo. Não há mais uma grande legião de fãs que acompanhem esse tipo de saga, e até mesmo os que acompanharam Fallen na época em que era apenas uma obra literária, já perderam o gosto, ele não é mais relevante ao público. Passaram-se sete anos desde o lançamento do primeiro livro, pessoas amadurecem nesse tempo e perdem o interesse pelo gênero.

A adaptação para os cinemas deixa um gancho para uma continuação, e é possível que hajam pré-adolescentes (público-alvo da versão cinematográfica) cujo interesse ainda se resuma à histórias de romance como essa. Contudo, essa nova geração está inserida em um mundo completamente diferente do que aquele para quem Lauren Kate, autora dos livros, escrevia. E mesmo que as cenas rápidas e a curta duração do filme tenham sido pensadas para essa geração “acelerada”, é difícil ver os anjos caídos fazendo algo, além de cair no esquecimento de algo que poderia ter feito mais sucesso se lançado há cinco anos atrás.

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