O Álbum “Tropix” da cantora Céu percorreu um longo caminho desde maio, quando foi apresentado pela primeira vez no palco do Circo Voador, e agora, 7 meses após o lançamento, volta aos palcos com a bagagem cheia de prêmios e indicações. Foi considerado um dos álbuns do ano e aparece em quase todas as listas. Classificado por Alexandre Matias (Trabalho Sujo), como “a mais ousada reinvenção” da carreira da artista o álbum tem, com a visibilidade e repercussão que tem causado, de certa forma, ampliado os conceitos daquilo que entendemos por ser MPB, trazendo para o cenário um pouco de uma produção mais experimental. O cenário experimental brasileiro é restrito e acaba sendo mais prolífico em São Paulo, cidade de onde vem a cantora, então esse posicionamento do álbum pode ser relevante para cena de maneira geral.

Coube a cantora e compositora suíça Sophie Hunger, que já participou dos festivais de Glastonbury e o Montreux Jazz Festival, abrir a noite. Ela ganhou notoriedade entre o público brasileiro após ter tido uma de suas músicas “Le Vent Nous Portera” na trilha da novela global Velho Chico. Apesar de pouco conhecida do público, que ainda chegava quando o seu show começou, a cantora subiu ao palco e conquistou a plateia, com um show comovente e cativante passeou entre o piano, o violão e a guitarra. Apresentou canções com lindas letras com belíssimos vocais sendo ovacionada antes mesmo do fim da apresentação.

O conjunto de beats eletrônicos com teclados e repleto de experimentos sintético, vozes e batida minimalista com sintetizadores carregados de efeitos já tinha conquistado o público antes mesmo de chegar aos palcos por aqui.

O show ”Tropix” é o transbordar disso, a apropriação que o público faz das canções e do próprio show da cantora é nítida e incrível, com as músicas na ponta da língua e as batidas percorrendo em forma de movimento os corpos. O álbum por si só funciona muito bem, mas o show vem como materialização da atmosfera dançante e sensual que é construída. Há uma variedade grande de temáticas e referências que se misturam muito bem e no show sobressaem pela maneira que as músicas são absorvidas é absorvida pelo público, de forma até muito mais dançante.

O repertório vai além do novo álbum, com, “Perfume do invisível, “Amor Pixelado”, “Camadasc”, “Sangria”, “A nave vai”, “Chico Buarque Song”, e conta com faixas marcantes da carreira da cantora, como “Lenda”, “Malemolência”, “Cangote” passeando outros álbuns. Teve também a participação de Hereve Salters nas músicas “Minhas Bics e “varandas suspensas”, que fez o público vibrar.

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Foto: Patricia Costa

Talvez falte um pouco mais de interação com o público para além da troca de energia através das músicas. Foram algumas poucas frases, muito semelhantes, inclusive às do outro show. A presença de palco da artista, apesar de minimalista é compensada pela atmosfera de sensualidade e intensidade que vem do peso e de uma gravidade na voz e no jeito de interpretar as músicas, que parece sair das entranhas e em ondas penetrar o público que dança inebriado embalado pelos timbres sintéticos, que de forma quase visceral, parecem ecoar dentro das pessoas levando a uma espécie de transe, simplesmente extasiante.

Foi uma noite de shows especiais que ainda contou com o show do General Elektrics, projeto do tecladista, compositor, cantor e produtor Hervé Salters, que é um dos produtores de Tropix. Ele apresenta o repertório do recém-lançado disco ao vivo Punk Funk City, que traz “Raid The Radio”, “Whisper to me”, entre outras. O show, apesar de mais curto do que esperavam os fãs, foi intenso, marcado com uma excelente e divertida presença de palco da banda que todo o tempo interagiu e levantou o público, apesar de ter encontrado alguns problemas técnicos, que não comprometeram a qualidade da apresentação ou a sintonia com o público. A animação da banda desceu o palco e atravessou o Circo eletrizando a plateia.

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