Sem dúvida um dos maiores ícones dos anos 90, os Power Rangers vem conseguindo manter sua popularidade até os dias de hoje. Com mais de 20 anos de exibição na televisão a série definitivamente acompanhou uma geração inteira. E visando a nostalgia desse grande público, a Lionsgate que sabe como apostar em filmes para o público jovem adulto (franquia Jogos Vorazes e Divergente), traz de volta aos cinemas a história desses cinco super heróis coloridos.

A grande dificuldade da produção de cara é passar pelo preconceito e o nariz torto que muitos possam ter com franquia, afinal Power Rangers é uma série datada e de baixo orçamento, feita especificamente para o público infantil. Assim o roteirista John Gatins (O Voo) tem a missão de abandonar o “cafona” da material original na tentativa de conversar os gostos do público atual, fã dos filmes de super-heróis.

Se passando na pequena cidade de Alameda dos Anjos, o filme segue a mesma estrutura da série dos anos 90 e mostra o que acontece quando cinco diferentes adolescentes descobrem as misteriosas moedas do poder que lhes permitem ganhar habilidades especiais. Mas com esses poderes vêm à responsabilidade de se tornar um Power Ranger, uma ordem antiga de guerreiros que tem como objetivo proteger a terra contra os planos de destruição da vilã Rita Repulsa.

No auxilio dos Rangers estão dois dos maiores nomes do elenco, Bryan Cranston (Breaking Bad) que vive o mentor e antigo ranger vermelho Zordon e o robô Alpha 5 vivido pelo comediante Bill Hader (Descompensada). Cranston consegue passar muita sabedoria ao personagem na busca por guiar o time de heróis, já Hader consegue dar sua assinatura e identidade em Alpha 5.

A questão da identidade nos personagens talvez seja um dos grandes acertos do filme, no original temos os escolhidos como “adolescente com atitudes” que não passam de jovens perfeitos, agora temos jovens de verdade com falhas e frustrações, criando assim mais profundidade a esses personagens. Mas, por mais interessante que isso seja, o foco fica claro nos personagens de Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott) e Billy (RJ Cyler) que recebem alguns dos melhores momentos em cena. Já Trini (Becky G) e Zack (Ludi Lin) são apresentados com o decorrer do filme de forma muito vaga, não conseguindo ter o mesmo envolvimento emocional esperado.

O filme também consegue repetir o mesmo erro dos filmes de super-heróis recentes, não conseguir apresentar um bom vilão. No caso de Rita Repulsa, a atriz Elizabeth Banks apresenta uma atuação correta para a personagem, o problema é que além da falta de uma motivação concreta, a maneira que o roteiro trata a vilã é inconsistente. Em certos momentos é extremamente ameaçadora e em outros ela é muito infantil.

Isso parece um reflexo das dificuldades do diretor Dean Israelite (Projeto Almanaque) em acertar o tom do filme, que por mais que funcione em grande parte do tempo, apresentando um tom “mais sombrio e real” pra história, acaba sempre intercalando com momentos mais infantis. Essa luta no ritmo do filme acontece em especial no segundo ato, quando o foco no treinamento deles e a falta de maiores sequencias de ação fazem o filme perder um pouco sua força. Mas é no terceiro ato que o filme apresenta tudo aquilo que os fãs vieram assistir, numa batalha final muito bem feita visualmente.

Assim reconstruindo os Power Rangers para um maior publico atual e sem trair o público original, o que pode ser um problema para quem nunca se identificou com os heróis, o filme é mais do que uma história dos Power Rangers, é uma história sobre um grupo de jovens desajustados que buscam amadurecimento e encontrar o seu lugar. Numa divertida jornada que entrega tudo o que os fãs podem esperar e ainda responde a pergunta de como seriam os Power Rangers com um grande orçamento.

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